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Política

Evento de Bolsonaro com comitiva para Líbano expõe afagos a Temer e MDB

Gabriela Sá Pessoa

Do UOL, em São Paulo

12/08/2020 10h08

Presente no evento que marcou a partida da comitiva brasileira para o Líbano hoje, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) trocou afagos com seu antecessor, Michel Temer (MDB), e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, em uma clara demonstração de aproximação com lideranças do MDB.

Bolsonaro convidou Temer para liderar a missão, acompanhado por Skaf para integrar o grupo. Os dois convidados são descendentes de libaneses. O presidente chegou ao evento junto com Temer e citou os dois emedebistas durante o discurso.

"Senhor presidente Michel Temer, estou muito honrado de ter aceitado nosso convite para representar a missão humanitária. Skaf foi uma feliz coincidência que estava comigo quando tomamos essa decisão. Eu tinha certeza de que ele aceitaria essa missão", disse Bolsonaro.

"Prezado Skaf, você também é o imediato dessa missão. Não poderia ter ninguém melhor do que você para assessorar o Michel Temer", completou.

Bolsonaro tem se esforçado para ampliar o diálogo com alas do MDB. O partido recentemente desembarcou do centrão, grupo informal no Congresso que, em negociação de cargos e verbas, vinha demonstrando apoio ao Planalto no Legislativo.

Temer agradeceu ao convite de Bolsonaro. "Não é incomum que o presidente designe ex-presidentes a missões diplomáticas. Então o senhor presidente dá um exemplo para o Brasil e a todas as nações do mundo", disse o ex-presidente.

Temer pediu autorização para a viagem internacional ao juiz federal Marcelo Bretas. Ele responde a sete processos e teve o passaporte retido após uma prisão preventiva em 2019.

Jair Bolsonaro e Michel Temer participam de evento com comitiva brasileira que viajará ao Líbano - Henrique Barreto/Futura Press/Estadão Conteúdo - Henrique Barreto/Futura Press/Estadão Conteúdo
Jair Bolsonaro e Michel Temer lado a lado durante evento
Imagem: Henrique Barreto/Futura Press/Estadão Conteúdo

Em discurso antes da partida, Skaf também deu demonstrações desta aproximação com elogios à condução de Bolsonaro em relação ao tema.

"As relações entre o Brasil e o Líbano são relações fraternas. Então presidente Bolsonaro gostaria de agradecer o senhor. Eu vi o carinho de tratar esse assunto do Líbano, o carinho e o respeito com essa comunidade que escreveu muito a história do Brasil. Estamos juntos com o Líbano, com todos os descendentes", afirmou.

Skaf comentou que prestígio que o presidente dedicou a Temer e ele não se trata de um gesto ao MDB, mas de um reconhecimento dos laços que mantêm com a comunidade libanesa.

"Não creio que nesse momento o presidente Bolsonaro esteja pensando em aproximação política, a missão é humanitária. Agora, o futuro a Deus pertence, o comportamento das pessoas de um lado e de outro o futuro vai mostrar", declarou.

Na semana passada, o presidente participou de outro compromisso em São Paulo com Skaf, que disputou o governo paulista em 2018 pela sigla. Em seu discurso, o presidente da Fiesp fez questão de relembrar outros encontros recentes com Bolsonaro.

O presidente esteve hoje na Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos, para acompanhar a partida da comitiva brasileira que levará ajuda humanitária a Beirute. A capital do Líbano foi parcialmente destruída após a explosão que deixou quase 200 mortos e milhares de feridos.

As aeronaves da FAB (Força Aérea Brasileira) levarão insumos hospitalares, mantimentos e medicamentos à capital do Líbano. A chegada está prevista para hoje.

Também presente no evento, o embaixador do Líbano no Brasil, Joseph Sayah, agradeceu Bolsonaro pela manifestação de apoio. "Desde o primeiro momento o presidente ligou para mim para transmitir a sua solidariedade ao Líbano. Desde o primeiro momento me senti como sempre em casa, com ajuda e o caloroso apoio que foi mostrado através do senhor presidente", disse.

O que se sabe sobre a explosão em Beirute?

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A comitiva

A comitiva brasileira designada por Bolsonaro para levar ajuda humanitária ao Líbano tem ao todo 13 pessoas, incluindo Michel Temer e Paulo Skaf.

O marqueteiro de Temer, Elson Mouco Júnior, conhecido como Elsinho Mouco, também integra a lista. Foram escolhidos ainda os senadores Nelson Trad Filho e Luiz Osvaldo Pastore, ambos do MDB, e os secretários Flávio Augusto Viana Rocha (Assuntos Estratégicos) e Kenneth Félix Haczynski da Nóbrega (Negociações Bilaterais no Oriente Médio, Europa e África).

Carlos Augusto Fecury Sydrião Ferreira, representante do Exército, Michael Pereira Lopes, Ronaldo da Silva Fernandes, Luciano Ferreira da Sousa, Sebastião Ruiz Silveira Júnior e Marcelo Ribeiro Haddad completam a lista. Não há nenhuma mulher na comitiva escolhida por Bolsonaro.

Ajuda

De acordo com o governo, o avião KC-390 transportará 6 toneladas de carga, que inclui medicamentos, alimentos e equipamentos de saúde, doados pelo Ministério da Saúde e pela comunidade libanesa no Brasil.

Entre os itens enviados estão antibióticos, corticoides, analgésicos e insumos como ataduras, seringas e cateteres. Além disso, o carregamento conta com 100 mil máscaras cirúrgicas e 300 ventiladores pulmonares mecânicos.

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