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C. Bolsonaro é investigado por funcionários fantasmas de 1º mandato, diz TV

Vereador é alvo de investigação do MP-RJ por suspeitas relacionadas a seu mandato iniciado em 2001 - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Vereador é alvo de investigação do MP-RJ por suspeitas relacionadas a seu mandato iniciado em 2001 Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

14/08/2020 15h36

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) é investigado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) por suspeita de ter empregado funcionários fantasmas em seu gabinete ainda no primeiro mandato na Câmara Municipal do Rio, iniciado em 2001, o que configuraria crime de peculato. À época, o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi eleito com apenas 17 anos.

Segundo reportagem da Globonews, que teve acesso ao inquérito da investigação, o MP-RJ investiga, entre alguns servidores, o caso de uma mulher que foi contratada pelo vereador entre 2003 e 2005. No entanto, o órgão já ouviu pelo menos oito pessoas desde julho do ano passado e a Subprocuradoria-Geral de Justiça acatou o pedido dos promotores para abrir processo investigatório.

No documento do MP-RJ, o órgão afirma que entre os suspeitos de serem funcionários fantasmas são "servidores com idade elevada, e que moram em outros municípios e até em outros estados, distantes de onde é exercido o mandato do vereador Carlos Bolsonaro", o que "inviabilizaria o cumprimento das funções de assessoria parlamentar".

A reportagem diz que, entre os funcionários que moravam em outras cidades, há também alguns que ficavam por meses sem aparecer na Câmara, além daqueles que não tinham crachá de servidor.

É o caso de Diva da Cruz Martins, hoje com 72 anos e que foi lotada no gabinete de Carlos de 2003 a 2005, prestando serviços durante o primeiro e segundo mandatos do vereador. A ex-servidora, que ganhava R$ 3 mil à época, disse em depoimento que "seu trabalho" era "comparecer à Câmara de Vereadores uma vez por mês, buscar uns folhetos e distribuir às pessoas no Centro de Nova Iguaçu".

"Eu não encontrava com ninguém. Eu ia lá e voltava, não sei nem quem trabalhava lá. Não sei nem quem era funcionário, quem não era", disse Diva à Globonews. Ela é realmente moradora de Nova Iguaçu, mas não soube responder ao MP-RJ qual era seu cargo no gabinete.

Diva disse em depoimento que buscava os folhetos uma vez por mês, quando aproveitava para assinar o ponto. Um ofício da Câmara, porém, registrou a frequência dos servidores do gabinete de Carlos e não mostra a presença de Diva nenhuma vez entre 2003 e 2005.

O UOL fez contato com a chefia de gabinete do vereador Carlos Bolsonaro, mas foi informado que o responsável não estava autorizado a comentar o caso. Já o MP-RJ respondeu por meio do GAECC (Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção) "que as investigações estão sob sigilo, o que impede de serem fornecidas outras informações".

Carlos Bolsonaro cita "desinformações"

No Twitter, o vereador criticou a Globo por um procedimento em segredo de justiça ser "vazado misteriosamente". Ele ainda afirmou que há desinformações no que foi divulgado e que todos os esclarecimentos serão feitos à Justiça.

"Procedimento que corre em segredo de justiça misteriosamente vazado. Mais uma matéria requentada repleta de desinformações, ilações e relativa há quase 2 décadas. Muito tranquilo e os esclarecimentos sendo prestados à justiça e não a estes cujo objetivo todos sabem qual é!", escreveu.

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