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Na porta de hospitais do Rio, 'guardiões do Crivella' impedem denúncias

Eles se articulam em um grupo do WhatsApp no qual há um número registrado como sendo do prefeito Marcelo Crivella - SAULO ANGELO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Eles se articulam em um grupo do WhatsApp no qual há um número registrado como sendo do prefeito Marcelo Crivella Imagem: SAULO ANGELO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

31/08/2020 20h47

Uma reportagem do programa "RJ2", da TV Globo, expôs hoje um esquema da prefeitura do Rio de Janeiro para evitar que a população denuncie problemas na área da Saúde.

Um grupo no WhatsApp chamado "guardiões do Crivella", composto por funcionários da prefeitura, faz plantões na porta dos hospitais municipais para impedir a comunicação entre imprensa e pacientes. Um dos participantes informou à TV Globo que o próprio prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) está no grupo e parabeniza a ação dos funcionários.

De acordo com a reportagem, o grupo tem uma escala rígida de horários — chegam às unidades de madrugada e mandam selfies para registrar onde estão. Na quinta-feira (27), o grupo responsável por "guardar" o Hospital Rocha Faria, na Zona Oeste, se atrasou, e o repórter Ben-Hur Correia conversou com os pacientes do local sobre a demora no atendimento, que no dia chegou a até cinco horas. No grupo, houve repreensão:

"Quem está no Rocha? Gente, muito triste, não derrubamos a matéria (...) Não pode haver falta, nem atraso. Falhamos no Rocha Faria. Inaceitável", escreveu um membro do grupo identificado como ML.

Hoje pela manhã, no Hospital Salgado Filho, no Méier, o repórter Paulo Renato Soares entrevistava uma pessoa quando um dos participantes do grupo interveio: "Fala isso não, meu querido".

O entrevistado questionou: "Como, perdi um dedo, não posso falar?"

Questionado pelo repórter, o funcionário público afirmou: "O hospital está tudo certinho, meu querido. O prefeito está trabalhando correto e bem".

À TV Globo, a prefeitura diz que "reforçou o atendimento em unidades de saúde municipais no sentido de melhor informar à população e evitar riscos à saúde pública, como, por exemplo, quando uma parte da imprensa veiculou que um hospital (no caso, o Albert Schweitzer) estava fechado, mas a unidade estava aberta para atendimento a quem precisava. A Prefeitura destaca que uma falsa informação pode levar pessoas necessitadas a não buscarem o tratamento onde ele é oferecido, causando riscos à saúde".

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