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'Guardiões de Crivella' atuam também na Educação e em feiras artesanais

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), teria apoiadores infiltrados também em grupos relacionados à educação - SAULO ANGELO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), teria apoiadores infiltrados também em grupos relacionados à educação Imagem: SAULO ANGELO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Colaboração para o UOL, em Santos

07/09/2020 11h45

A atuação do "Guardiões de Crivella", servidores municipais comissionados que agem a favor do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), não se restringe à área da Saúde. Os apoiadores também estão infiltrados em grupo de mães de alunos de uma escola municipal e até em grupos de expositores de feira artesanal, de acordo com reportagem de hoje do jornal O Globo.

Segundo o texto, integrantes de um grupo de mães de alunos da Escola municipal Eurico Dutra, no IAPI da Penha, descobriu que uma de suas integrantes não tinha sequer filho matriculado na unidade: era uma "guardiã de Crivella".

Daniela Rocha Pinto de Jesus, que ganha R$ 6.600 brutos da prefeitura, teria se infiltrado no grupo de WhatsApp das mães para atuar a favor do prefeito, diz a reportagem.

"A Daniela, uma das guardiãs do Crivella, estava no nosso primeiro grupo (de mães). Até fiquei desconfiada dela. Entrou no grupo falando que trabalhava na área da saúde e, depois, saiu dizendo que estava sem tempo. Fomos enganados. A gente só queria que nossos filhos recebessem o que têm direito", diz Andreia Cardoso, que fundou o grupo "Supermães" e tem dois filhos na escola. O grupo luta por direitos dos alunos.

A maior parte dos guardiões são funcionários comissionados da prefeitura. Entre as 67 pessoas lotadas no gabinete de Crivella, 59 delas não são servidoras públicas.

De acordo com dados do gabinete da vereadora Teresa Bergher (Cidadania), o gabinete do prefeito — que possui integrantes do grupo — tem despesa bruta de R$ 380.597,48 com funcionários comissionados.

"O prefeito Crivella criou uma milícia de cabos eleitorais para impedir críticas à sua gestão, pagos com dinheiro público. Já temos elementos que comprovam a existência de organização criminosa atuando na estrutura do município e onerando os cofres municipais. A CPI dos Guardiões do Crivella vai investigar e ouvir essas pessoas para que sejam devidamente punidas", diz a vereadora, a O Globo.

De acordo com a reportagem, o grupo de guardiões atua também em feiras artesanais. Marcos Paulo de Oliveira Luciano, conhecido como ML e suspeito de chefiar as ações dos apoiadores do prefeito, controlaria as feiras de Nelson Mandela, em Botafogo, e a da Independência, na Tijuca.

Apesar de apenas Feirartes e feiras livres terem autorização para funcionar, a feira de Botafogo voltou há um mês. Expositores precisariam pagar R$ 135 por dia para participar dela. A da Tijuca, por sua vez, foi autorizada e cancelada na última quinta (3).

"Essas duas feiras são controladas pelo ML. Quero trabalhar de cabeça erguida, pagando alvará e ISS, sem dar propina a ninguém", afirmou Márcio Alves Ávila, organizador de feiras.

Posicionamento da prefeitura

Ao UOL, a prefeitura do Rio de Janeiro se posicionou sobre as denúncias, por meio de sua assessoria de comunicação, afirmando que "o grupo de WhatsApp Guardiões do Crivella não é institucional".

Acrescentou ainda que o grupo "não se presta a organizar servidores para coibir a imprensa" e que a Prefeitura "reforçou o atendimento em unidades de saúde municipais para melhor informar a população e evitar riscos à saúde pública".

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