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MP-RJ denuncia Eduardo Paes por corrupção e lavagem de dinheiro

Eduardo Paes é candidato à Prefeitura do Rio pelo DEM -  Ricardo Borges/Folhapress
Eduardo Paes é candidato à Prefeitura do Rio pelo DEM Imagem: Ricardo Borges/Folhapress

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

08/09/2020 10h01Atualizada em 08/09/2020 19h42

O ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (DEM) foi denunciado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio) e se tornou réu por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Um mandado de busca e apreensão também foi cumprido na casa onde ele mora, na zona sul do Rio. Com isso, Paes e outros quatro alvos da operação se tornaram réus.

De acordo com as investigações, entre 4 de junho e 19 de setembro de 2012, o ex-prefeito recebeu vantagens indevidas no valor de R$ 10,8 milhões que, segundo o MP-RJ, foram pagas a ele em espécie por executivos da Odebrecht por meio de caixa dois de campanha. A denúncia, no entanto, não torna o ex-prefeito do Rio inelegível. Paes é candidato à prefeitura e aparece como principal nome da corrida eleitoral em pesquisas de intenção de votos realizadas até o momento.

A denúncia foi oferecida pelo MP-RJ por meio do Gaecc (Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção) e aceita na Justiça Eleitoral pelo juiz Flávio Itabaiana Nicolau.

Itabaiana é o mesmo magistrado que decretou a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro e apontado como operador financeiro em um suposto esquema de "rachadinha" na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). E o Gaecc, do MP-RJ, o mesmo grupo que investiga Flávio e Queiroz.

Além de Paes, foram denunciados o deputado federal Pedro Paulo (DEM-RJ.); Benedicto Barbosa da Silva Junior e Leandro Andrade Azevedo, da Odebrecht; além de Renato Barbosa Rodrigues Pereira e Eduardo Bandeira Villela, sócios da Prole Serviços de Propaganda

Segundo o MP, os valores foram recebidos indiretamente, por intermédio de Pereira e Villela, que teriam recebido sucessivas entregas de dinheiro em espécie, visando a custear, de forma dissimulada, a campanha eleitoral em que o então prefeito buscava sua reeleição.

Paes fala em interferência do processo eleitoral

Durante a tarde, Eduardo Paes se manifestou em vídeo publicado em suas redes sociais.

Mais cedo, a assessoria de Paes afirmou, por meio de nota, que ele está "indignado".

"Às vésperas das eleições para a Prefeitura do Rio, Eduardo Paes está indignado que tenha sido alvo de uma ação de busca e apreensão numa tentativa clara de interferência do processo eleitoral - da mesma forma que ocorreu em 2018 nas eleições para o governo do estado. A defesa sequer teve acesso aos termos da denúncia e assim que tiver detalhes do processo irá se pronunciar."

O comunicado se refere a depoimento do ex-secretário municipal de Obras Alexandre Pinto ao juiz Marcelo Bretas, na 7ª Vara Federal Criminal do Rio, às vésperas das eleições de 2018 em que Paes era um dos candidatos ao governo. Na ocasião, Pinto —condenado no mesmo mês a 23 anos de prisão por lavagem de dinheiro—, disse que que foram negociados no gabinete do então prefeito pagamentos de propina de grandes empreiteiras sobre contratos de obras firmados com o município.

Em março, Paes se tornou réu por causa de outra investigação, mas no MPF (Ministério Público Federal). O ex-prefeito é investigado por suposto direcionamento na licitação de construção do Complexo Esportivo Deodoro Norte para a Olimpíada do Rio-2016. Ele foi denunciado por corrupção passiva, fraude em licitação e falsidade ideológica.

Eduardo Paes foi prefeito do Rio por dois mandatos, entre 2009 e 2016. Na última eleição para o estado, em 2018, Paes foi ao segundo turno, mas perdeu para Wilson Witzel (PSC), governador que foi afastado do poder há mais de uma semana.

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