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Paes aposta em crise de Crivella para definir vice e apoios no Rio

Eduardo Paes, candidato do DEM à Prefeitura do Rio -  Ricardo Borges/Folhapress
Eduardo Paes, candidato do DEM à Prefeitura do Rio Imagem: Ricardo Borges/Folhapress

Maria Luisa de Melo

Colaboração para o UOL, no Rio

04/09/2020 04h00

De olho na repercussão do caso dos "Guardiões do Crivella", o candidato à Prefeitura do Rio Eduardo Paes (DEM) postergou a escolha de seu vice. Com o desgaste do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), Paes quer abocanhar legendas que hoje estão mais próximas do rival, atraindo mais apoio e, consequentemente, mais recursos de fundo eleitoral.

Apesar do placar apertado (25 x 23), Crivella conseguiu barrar ontem na Câmara Municipal um processo de impeachment na esteira do caso em que servidores são suspeitos de dar plantão na porta de hospitais para impedir que jornalistas denunciassem problemas. Ele enfrenta contudo investigação criminal no Ministério Público do Rio e, na esfera eleitoral, pode ter de prestar contas se a Promotoria Eleitoral enxergar crime no Guardiões de Crivella. A prefeitura diz que o grupo de WhatsApp não é institucional.

A intenção de Paes portanto é de aguardar a repercussão do caso. Mesmo após convenção que confirmou seu nome para a disputa, na quarta-feira (2), o ex-prefeito carioca faz mistério sobre seu parceiro na chapa.

Atualmente, Paes firmou aliança com três legendas: o Cidadania, o Avante e o Partido Verde. Mas mantém conversas constantes com o PSDB —encabeçado no Rio pelo empresário Paulo Marinho— e com o PSL, do deputado federal Luciano Bivar (PE).

Ambas as legendas têm candidatos próprios no Rio, mas admitem abandonar suas pré-candidaturas dependendo dos rumos da negociação.

"O Paes está em busca de um vice mais conservador. Mas deve levar a decisão sobre a escolha deste nome até o dia 27 de setembro [data limite para registro da chapa no Tribunal Superior Eleitoral]. Enquanto isso, vai conversando com todos os partidos possíveis. Quanto maior a coligação, melhor. A repercussão dos Guardiões do Crivella certamente trará impacto nisso. Quanto mais desgastado o Crivella estiver, maior a chance de Paes conseguir novos apoios", explicou uma fonte que integra o DEM.

Paulo Marinho sinaliza que ainda não bateu o martelo. "Estamos conversando com vários partidos. Mas espero estar até o fim da semana que vem com essa definição. O que o partido quer é a candidatura própria, vamos ver", disse.

No radar de Paes está também o Progressistas. Com uma bancada de seis vereadores que é base de Crivella no Rio, o partido, rachado, tem uma pequena ala que resiste aos encantos do atual prefeito e defende uma aproximação com Paes. O flerte é incentivado pelo deputado federal Dr. Luizinho, mas a decisão final está nas mãos do deputado estadual Dionísio Lins, presidente municipal da legenda.

Outro partido cujo apoio está atrelado ao desgaste de Crivella é o PSL —legenda que detém a segunda maior bancada de deputados na Câmara Federal e, consequentemente, o segundo maior montante de recursos de fundo eleitoral. A legenda já recebeu oferta para indicar o vice na chapa de Crivella, além de duas secretarias.

Mas, como ainda não fechou apoio, o PSL segue rotina de tratativas e encontros com Paes. Segundo indica uma fonte do partido, as conversas não avançaram na direção de a legenda indicar o vice de Paes, que prefere aguardar.

"Como eu já falei para ele, a posição de ganhador é sempre a mais difícil. Porque qualquer passo que ele der, pode influenciar muito a campanha. O PSL também não está à disposição dele, estamos analisando o que é melhor para o Rio, e mantendo algumas conversas", pontuou o deputado federal Sargento Gurgel, presidente estadual do PSL no Rio.