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Quem são os alvos da operação que envolve Wassef e advogados de Lula

Wanderley Preite Sobrinho e Luis Adorno

Do UOL, em São Paulo

09/09/2020 12h52Atualizada em 10/09/2020 10h51

Resumo da notícia

  • Operação da PF visa desvendar esquema que teria desviado R$ 344 mi das sedes fluminenses do Sesc, Senac e Fecomércio
  • Dois defensores de Lula e ex-advogado da família Bolsonaro estão na mira das investigações
  • Segundo delação, grupo atuou entre 2012 e 2018 por contratos de escritórios de advocacia que influenciassem decisões de que Orlando Diniz era réu
  • Diniz é ex-presidente das três entidades e está preso desde 2018

Uma operação da Polícia Federal deflagrada hoje tem o objetivo de desvendar um esquema que supostamente desviou R$ 344 milhões das sedes fluminenses do Sesc (Serviço Social do Comércio), Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e Fecomércio (Federação do Comércio). Estão na mira dois defensores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin e Roberto Teixeira, e o ex-advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef.

O suposto grupo criminoso atuou entre 2012 e 2018, segundo delação premiada de Orlando Diniz, ex-presidente das três entidades. A denúncia do Ministério Público diz que ele contou ter desviado dinheiro do Sesc e Senac por meio da Fecomércio para contratar escritórios de advocacia que influenciassem nas decisões judiciais de processos em que ele era réu. Diniz está preso desde 2018.

O UOL mostra quem são os principais suspeitos de integrar o esquema:

Nome: Orlando Diniz
Cargo: Ex-presidente da Fecomércio RJ, Sesc Rio e Senac Rio
Suspeita: A origem da apuração foi sua delação premiada. Em 2012, ele contratou Zanin e Teixeira para "comprar uma solução política" em decisões judiciais que mantivessem Diniz à frente das três entidades. Os contratos eram assinados pela Fecomércio, mas o interesse seria beneficiar Diniz. De acordo com o Ministério Público, ele apresentou extratos, cópias de e-mails e de conversas online na delação.
Outro lado: O UOL busca contato com seu advogado.

Nome: Sérgio Cabral
Cargo: Ex-governador do Rio de Janeiro
Suspeita: As investigações indicam que Diniz faria parte de "outras organizações criminosas" comandadas por Cabral, que também está preso. A pedido do ex-governador, Diniz teria contratado, como presidente do Sesc e Senac Rio, várias pessoas "sem que elas efetivamente prestassem serviço às entidades" em repasses que totalizaram R$ 5,8 milhões.
Outro lado: Em nota, a defesa do ex-governador disse que ele é "colaborador da Justiça com acordo homologado pelo STF. Sobre esses fatos, já prestou esclarecimentos à Polícia Federal e entregou provas de corroboração".

Sérgio Cabral, então governador do Rio de Janeiro, em foto de arquivo - Antônio Cruz/Agência Brasil - Antônio Cruz/Agência Brasil
Sérgio Cabral, ex-governador do Rio
Imagem: Antônio Cruz/Agência Brasil

Nome: Cristiano Zanin
Cargo: Advogado
Suspeita: Réu, ele seria o líder do esquema ao lado de Roberto Teixeira entre 2012 e 2018. O escritório de advocacia da dupla teria recebido R$ 67,8 milhões desviados da Fecomércio para tentar influenciar as decisões da Justiça em processos em que Diniz respondia.
Outro lado: Em nota, o advogado fala em "tentativa de intimidação do Estado brasileiro" a seu trabalho que "desmascarou as arbitrariedades da Lava Jato". "O juiz Marcelo Bretas é notoriamente vinculado ao presidente Jair Bolsonaro e sua decisão no caso concreto está vinculada ao trabalho desenvolvido em favor de um delator assistido por advogados ligados ao senador Flávio Bolsonaro."

O advogado Cristiano Zanin  - Raul Pereira/Fotoarena/Estadão Conteúdo - Raul Pereira/Fotoarena/Estadão Conteúdo
O advogado Cristiano Zanin
Imagem: Raul Pereira/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Nome: Roberto Teixeira
Cargo: Advogado
Suspeita: Também réu, Teixeira teria recebido sem prestar serviço. Com Diniz e Zanin, os dois são acusados de montar uma estrutura para que os recursos do Sesc/Senac Rio fossem repassados a eles pela Fecomércio. Por ser privada, a entidade não é fiscalizada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e CGU (Controladoria Geral da União).
Outro lado: Em nota, o advogado classificou a operação como "arbitrariedade" e retaliação à sua atuação profissional. "As acusações lançadas pelo Ministério Público ignoram -- e desrespeitam cruelmente -- toda minha trajetória jurídica", diz o texto. "Todos os serviços prestados à Fecomércio/RJ estão devidamente comprovados e documentados e os pagamentos correspondentes foram todos realizados na forma da lei. É lamentável testemunhar tamanha infração aos princípios basilares do estado democrático de direito."

Nome: Frederick Wassef
Cargo: Advogado
Suspeita: Alvo de busca e apreensão, ele é investigado por suspeita de ter obtido R$ 2,7 milhões por meio do escritório contratado pela Fecomércio com dinheiro público desviado do Sesc/Senac Rio.
Outro lado: Em nota ao UOL, Wassef afirma que "nenhuma irregularidade" foi encontrada em sua casa ou escritório de advocacia após as buscas de hoje. "Não fui denunciado como os demais advogados e nada tenho que ver com nenhum esquema de Fecomércio. Jamais fui contratado pela Fecomércio ou recebi pagamentos desta entidade", diz o texto. "Fui contratado por um renomado escritório de advocacia criminal de São Paulo que tem como dona uma conhecida procuradora do Ministério Público de SP. (...) Todos os meus serviços, de todos os clientes, foram prestados. Meus honorários foram declarados à Receita Federal e todos os impostos pagos na totalidade. Após dois anos e meio de investigação não fui denunciado." No texto, Wassef acusa ainda o delator Orlando Diniz de "mentir deliberadamente" "a mando de advogados" visando "o interesse de um outro cliente em comum."

Frederick Wassef, ex-advogado dos Bolsonaros - Daniel Marenco/Agência Globo - Daniel Marenco/Agência Globo
Frederick Wassef, ex-advogado dos Bolsonaros
Imagem: Daniel Marenco/Agência Globo

Nome: Eduardo Martins
Cargo: Advogado, filho do presidente do STJ, Humberto Martins
Suspeita: A pretexto de influenciar decisões no STJ, Zanin teria convencido Diniz a usar a Fecomércio para contratar Eduardo Martins, filho de Humberto Martins, presidente do STJ. Entre dezembro de 2015 e maio de 2016, ele teria recebido mais de R$ 82 milhões.
Outro lado: Procurado pelo UOL, o advogado ainda não se manifestou.

Nome: César Asfor Rocha
Cargo: Advogado, ex-ministro do STJ
Suspeita: Parte do dinheiro recebido por Martins foi transferida a César Asfor Rocha. Ele ainda teria recebido R$ 900 mil desviados do Sesc e Senac do Rio em três contratos de honorários advocatícios firmados com a Fecomércio.
Outro lado: Em nota, o advogado afirma que: "As suposições feitas pelo Ministério Público em relação a nosso escritório não têm conexão com a realidade. Jamais prestamos serviços nem recebemos qualquer valor da Federação do Comércio do Rio de Janeiro, tampouco de Orlando Diniz".

Nome: Caio Rocha
Cargo: Advogado
Suspeita: Filho de Asfor Rocha, seu escritório de advocacia teria recebido pagamentos de honorários por serviços não prestados: R$ 1,6 milhão também vindos do Sesc e Senac do Rio por intermédio da Fecomércio. O propósito alegado era remunerar a pretensa influência junto à Corte Superior.
Outro lado: Procurado pelo UOL, Rocha afirma que o escritório "jamais prestou serviços nem recebeu qualquer quantia da Fecomércio-RJ". "Procurados em 2016, exigimos, na contratação, que a origem do pagamento dos honorários fosse, comprovadamente, privada. Como a condição não foi aceita, o contrato não foi implementado. O que se incluiu na acusação do Ministério Público são as tratativas para o contrato que nunca se consumou", completa.

Nome: Tiago Cedraz
Cargo: Advogado, filho do ministro do TCU Aroldo Cedraz
Suspeita: Em março de 2015, Diniz contratou Tiago Cedraz com dinheiro da Fecomércio: R$ 16 milhões a pretexto de influenciar em causas no TCU.
Outro lado: Procurado pelo UOL, o advogado ainda não se manifestou.

Nome: Fernando Hargreaves
Cargo: Advogado
Suspeita: Membro do "núcleo duro da organização criminosa", prestou "auxílio direto" na assinatura de três contratos com a Fecomércio. O objetivo, segundo as investigações, era desviar R$ 9,5 milhões, supostamente em favor de si mesmo e dos advogados Zanin e Teixeira.
Outro lado: O UOL busca contato com seu advogado.

Nome: Ana Basílio
Cargo: Advogada
Suspeita: Com ajuda de Zanin e Diniz, seu escritório de advogacia teria desviado milhões de reais em contratos firmados com a Fecomércio. Em um deles, teria recebido R$ 6,3 milhões em honorários utilizando documento ideologicamente falso, já que o trabalho nunca foi prestado.
Outro lado: O UOL busca contato com sua defesa.

Nome: Álvaro Novis
Cargo: Doleiro
Suspeita: Novis teria ajudado Diniz a pagar R$ 1 milhão "por fora" o primeiro contrato de serviços advocatícios com Teixeira e Zanin, e mais dois em dezembro de 2012 e janeiro de 2013. Foram R$ 12 milhões "cujo real objetivo seria influenciar em seu favor o presidente do conselho fiscal do Sesc Nacional", diz o Ministério Público.
Outro lado: Procurado pelo UOL, o advogado ainda não se manifestou.

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