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'QG da Propina' no Rio recebia R$ 1,5 milhão para favorecer empresa, diz TV

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella - Saulo Angelo/Futura Press/Estadão Conteúdo
O prefeito do Rio, Marcelo Crivella Imagem: Saulo Angelo/Futura Press/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

13/09/2020 23h07

O "QG da Propina" que supostamente operava na Prefeitura do Rio recebia R$ 1,5 milhão por mês da empresa Assim Saúde para fazer uma intermediação entre planos de saúde e servidores municipais. As informações constam da investigação do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) e foram divulgadas hoje pelo Fantástico, da TV Globo.

O suposto esquema de corrupção teria os pagamentos negociados pelo empresário Rafael Alves, irmão do ex-presidente da Riotur (Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro) Marcelo Alves. A investigação do MP mostra que as negociatas eram feitas em uma sala próxima à Riotur. O acordo teria sido firmado com o empresário Azziz Chidid Neto, presidente do Conselho de Administração do Grupo Assim Saúde.

Alves, de acordo com a reportagem veiculada hoje, se encontrava com o doleiro Sérgio Mizrahy no "QG da Propina" para dividir os pagamentos coletados do Assim Saúde e outras empresas. O MP analisou mais de 10 mil mensagens que foram trocadas entre os participantes do "QG" e o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos).

Na quinta-feira (10), a Polícia Civil e o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) cumpriram 22 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e funcionais de agentes públicos, incluindo Crivella. Empresários também constam como alvos da operação. Entre os endereços alvos das buscas estão a casa onde o prefeito mora, na zona oeste da cidade, a sede da prefeitura, no centro, e o Palácio da Cidade, de onde Crivella despacha.

Hoje, TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), decidiu levantar o sigilo neste processo no qual o prefeito da capital fluminense é investigado. Ele afirma que pediu "à juíza para quebrar o sigilo do processo" e evitar, segundo ele, especulações "sobre algo que não existe".
Investigação

Segundo a reportagem do Fantástico, as conversas interceptadas pelo MP mostram que o "QG" extorquia empresários e o próprio prefeito, com ordens e ameaças. Alves e Crivella seriam muito próximos, a ponto de que o empresário exigia ser consultado antes de qualquer decisão.

"Colocar a Riotur subordinada à Secretaria de Turismo é covardia, desvalorizando Marcelo e não honrando o que foi combinado lá atrás. Bela atitude, fala uma coisa e faz outra. Eu não aceito isso, a Riotur tem que ficar subordinada ao gabinete do prefeito. Esse ato tem que ser publicado amanhã no Diário Oficial, senão a conversa vai mudar de tom", disse Alves em 2019, quando Crivella mexeu na estrutura da Riotur, segundo a reportagem.

Outro lado

A Prefeitura do Rio negou à TV Globo as acusações do MP-RJ. Já o Grupo Assim Saúde não comentou especificamente os supostos casos de propina. O advogado de Rafael Alves disse que as acusações são mentirosas.

Na quinta, Crivella afirmou, por meio das suas redes sociais, que colocou à disposição seus "sigilos bancário, telefônico e fiscal por conta de denúncias publicadas na imprensa".

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