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PGR denuncia Witzel, a mulher dele e mais 10 por organização criminosa

Wilson Witzel foi denunciado por organização criminosa -
Wilson Witzel foi denunciado por organização criminosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo*

14/09/2020 18h35Atualizada em 14/09/2020 20h18

A Procuradoria-Geral da República apresentou hoje uma nova denúncia contra o governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). A acusação é a de liderar uma organização criminosa estruturada para corrupção e lavagem de dinheiro no estado.

Segundo a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, o grupo liderado por Witzel atuou nos mesmos moldes existentes em relação às demais organizações criminosas que envolveram os últimos dois ex-governadores do estado — Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão (ambos do MDB).

Essa é a segunda acusação criminal contra Witzel. A primeira foi divulgada em 28 de agosto, dia em que foi afastado do cargo — e a acusação foi de corrupção e lavagem de dinheiro na forma de crime continuado. Witzel voltou a negar qualquer irregularidade.

Além do governador afastado e da mulher dele, Helena, foram acusados nesta segunda: Lucas Tristão do Carmo, Gothardo Lopes Netto, Pastor Everaldo, Edson da Silva Torres, Edmar José dos Santos, Victor Hugo Amaral Cavalcante Barroso, Nilo Francisco da Silva Filho, Cláudio Marcelo Santos Silva, José Carlos de Melo e Carlos Frederico Loretti da Silveira (Kiko).

Para a PGR, as atividades do grupo começaram em 2017, com a cooptação de Witzel para concorrer ao governo, que recebeu, ainda quando era juiz federal, quase R$ 1 milhão indevidamente. Lindôra pede a condenação dos envolvidos e a perda dos cargos públicos, em especial de Witzel. Cobra ainda indenização mínima de R$ 100 milhões dos envolvidos.

"A organização criminosa chefiada por Wilson Witzel é lastreada em três principais pilares, liderados por Mário Peixoto; Pastor Everaldo, Edson Torres e Victor Hugo; José Carlos de Melo", disse Lindôra Araújo.

De acordo com a PGR, a organização se dividia nos pilares econômico, administrativo, financeiro-operacional e político.

O primeiro era formado por empresários e lobistas; o administrativo por gestores públicos do governo estadual; o político era composto pelo governador do Estado e pelo presidente do PSC, Pastor Everaldo.

A denúncia ainda cita que Witzel teve participação ativa, loteando os recursos públicos em prol da organização criminosa, recebendo vantagem ilícita e lavando dinheiro a partir do escritório de advocacia da primeira-dama.

Witzel criticou o que chamou de vazamento de processo sigiloso para atingi-lo politicamente.

"Reafirmo minha idoneidade e desafio quem quer que seja a comprovar um centavo que não esteja declarado no meu Imposto de Renda, fruto do meu trabalho e compatível com a minha realidade financeira. Todo o meu patrimônio se resume à minha casa, no Grajaú, não tendo qualquer sinal exterior de riqueza que minimamente possa corroborar essa mentira", disse.

Quando foi afastado do cargo, Witzel reclamou de "um possível uso político da PGR".

"Meu compromisso é reduzir a criminalidade e querem me tirar do governo as organizações criminosas que estão perdendo dinheiro?, disse na ocasião.

* Com Reuters

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