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Justiça libera acusado de hackear celular de Moro a deixar presídio

Walter Delgatti Neto, preso em operação da PF em julho de 2019, é apontado com o codinome de "Vermelho" enquanto hacker - Mateus Bonomi/Folhapress
Walter Delgatti Neto, preso em operação da PF em julho de 2019, é apontado com o codinome de "Vermelho" enquanto hacker Imagem: Mateus Bonomi/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

15/10/2020 16h21

O hacker Walter Delgatti Neto, acusado de invadir o celular do ex-ministro Sergio Moro, foi liberado hoje pela VEP-DF (Vara de Execuções Penais do Distrito Federal) a cumprir o restante da pena em regime aberto. A informação foi confirmada ao UOL pelo TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios).

Delgatti Neto pode deixar ainda hoje a Penitenciária do DF I, onde cumpre pena. A decisão que o liberou consta em processo que corre em segredo de Justiça. Ele é acusado de invadir o celular de Moro e de outras autoridades para conseguir acesso a conversas privadas no aplicativo Telegram.

O TJDFT afirma que a soltura é procedimento padrão, já que Delgatti "cumpriu os requisitos previstos na lei" para conseguir a progressão de regime.

Mês passado, a 10ª Vara Federal de Brasília revogou a prisão preventiva de Delgatti e de outro acusado, Thiago Eliezer, após anulação de algumas audiências no caso sob argumentação das defesas de que nem todos os documentos relativos ao caso constavam nos autos. O juiz substituto Ricardo Soares Leite considerou "excesso de prazo" nas detenções.

Foi determinado que ambos utilizem tornozeleira eletrônica e não mantenham contato entre si ou com os demais réus ou testemunhas. Os dois também foram proibidos de acessar endereços eletrônicos pela internet, incluindo redes sociais e aplicativos de mensagens.

O UOL tenta contato com a defesa de Delgatti.

Lembre o caso

Delgatti Neto e Eliezer foram presos em julho do ano passado na Operação Spoofing, da Polícia Federal, que apurou a invasão de celulares de autoridades. Segundo as investigações, os acusados teriam hackeado os aparelhos por meio de uma brecha no aplicativo de mensagens Telegram.

Em janeiro, ambos foram denunciados pelo MPF (Ministério Público Federal) junto com outras cinco pessoas, entre elas, o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, responsável pelo site The Intercept Brasil, que publicou parte das mensagens extraídas dos celulares de Moro e de procuradores envolvidos na Operação Lava Jato. Foram apontados indícios dos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e interceptação telefônica ilegal.

A parte da denúncia contra o jornalista acabou rejeitada, por força de uma liminar do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para quem ele estaria protegido pela liberdade de imprensa.

*Com informações da Agência Brasil

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