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"Chega dessa postura de Maria Fofoca", diz Salles a ministro Ramos

Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, escreveu mensagem direcionada a Luiz Eduardo Ramos - Frederico Brasil/Futura Press/Estadão Conteúdo
Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, escreveu mensagem direcionada a Luiz Eduardo Ramos Imagem: Frederico Brasil/Futura Press/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo*

23/10/2020 10h28Atualizada em 23/10/2020 14h19

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, escreveu uma mensagem no Twitter pedindo que o ministro-chefe da secretaria de Governo da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos, deixe de lado a postura de "Maria Fofoca".

A manifestação ocorreu depois de uma reportagem do jornal O Globo dizer que Salles estava "esticando a corda com ala militar do governo" e "testando a blindagem" com o presidente Jair Bolsonaro ao mandar suspender as ações de combate a incêndios por falta de recursos. A reportagem não tinha referência ao ministro-chefe da secretaria de Governo.

Marcando o perfil de Luiz Eduardo Ramos no Twitter, Salles escreveu: "não estiquei a corda com ninguém. Tenho enorme respeito e apreço pela instituição militar. Atuo da forma que entendo correto. Chega dessa postura de #mariafofoca."

Ao longo da manhã, Salles ainda retuitou mensagens de seguidores que manifestaram apoio a ele e criticaram Ramos. Uma das mensagens retuitadas pelo ministro dizia que "Ramos está fazendo vazamentos para a Globo para derrubar o Salles, e não é a primeira vez que isso ocorre" e que não é preciso a "criação de mais narrativas".

Outro post compartilhado por Salles, do colunista Rodrigo Constantino, falava em "ministros fofoqueiros que levam intrigas para a mídia".

No início da tarde, Salles e Ramos estiveram juntos, com Bolsonaro e outros ministros, durante evento de apresentação de um modelo de caça F-39E Gripen. Eles chegaram a ficar próximos em um momento em que o presidente abraçou Salles ao lado do general, mas pouco interagiram.

Salles tira brigadistas de campo e alega falta de recursos

A crítica pública de Salles a Ramos é um novo capítulo da crise no combate aos incêndios no Brasil. Ontem, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) deu ordem para todos os brigadistas que estavam em campo - incluindo Amazônia e Pantanal - retornarem as suas bases, alegando falta de recursos. A medida foi revogada hoje.

O Ibama, órgão do Ministério do Meio Ambiente, encara uma queda de braços com o Ministério da Economia, argumentando que a pasta tem segurado a execução financeira do orçamento do instituto.

No fim de agosto, Ricardo Salles chegou a informar que, por causa de bloqueios financeiros para o Ibama e Instituto Chico Mendes (ICMBio), seriam interrompidas todas as operações de combate ao desmatamento ilegal nas duas regiões e também no restante do país. A paralisação chegou a ser oficializada, mas poucas horas depois, o governo voltou atrás. O vice-presidente Hamilton Mourão chegou a declarar que não havia nenhum bloqueio e que Salles tinha se precipitado.

Ontem à tarde, o ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) ofereceu ajuda de R$ 30 milhões de emergência da Defesa Civil para cobrir dívidas do Ibama e do ICMBio. Salles aceitou a oferta.

Mais tarde, o próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, teve de entrar diretamente na celeuma e se comprometeu a dar uma solução. O compromisso é de liberar uma parcela de R$ 60 milhões para o MMA, de um total de R$ 134 milhões que foram retidos pela Economia. Com a promessa, o Ibama mandou os brigadistas voltarem hoje ao trabalho.

*Com informações do Estadão Conteúdo

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido até filiar ao PL para disputar a eleição de 2022, quando foi derrotado em sua tentativa de reeleição.