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Após bronca de Bolsonaro, Mourão lamenta relatório vazado: "me penitencio"

06.jun.20 - Hamilton Mourão (PRTB) e Jair Bolsonaro (sem partido) durante 34ª Reunião do Conselho de Governo - Marcos Corrêa/Presidência da República
06.jun.20 - Hamilton Mourão (PRTB) e Jair Bolsonaro (sem partido) durante 34ª Reunião do Conselho de Governo Imagem: Marcos Corrêa/Presidência da República

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

12/11/2020 14h44Atualizada em 12/11/2020 17h45

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse hoje concordar com a irritação de Jair Bolsonaro (sem partido) e lamentou o vazamento de uma medida estudada pelo Conselho da Amazônia que sugeria punir com expropriação de bens donos de terras que cometerem crimes ambientais.

A divulgação fez com que o presidente da República desse uma bronca pública e levantasse, inclusive, a hipótese de traição dentro do Executivo.

"Ou é mais uma mentira [da imprensa] ou alguém deslumbrado do governo resolveu plantar essa notícia aí", afirmou Bolsonaro.

Horas depois, Mourão disse que Bolsonaro tem razão. "Se eu fosse o presidente, também estaria extremamente irritado", disse. "Eu me penitencio por não ter colocado grau de sigilo nesse documento. Porque, se eu tivesse colocado grau de sigilo, a pessoa que vazou o documento estaria incorrendo em crime previsto na nossa legislação."

Segundo o general e vice-presidente, "alguém mal-intencionado pegou e entregou o documento completo para um órgão de imprensa". Mourão também disse ainda que se trata de um mero "estudo", que ainda passaria pelo crivo do Ministério da Agricultura antes de chegar à decisão do presidente da República.

"Entregamos para os 15 ministros que fazem parte do Conselho [Nacional da Amazônia] um documento preparatório com todas as ideias que foram levantadas pelas comissões em relação a planejamento estratégico. A finalidade era que os ministérios estudassem essas ideias e, a partir daí, colocassem as suas opiniões. Para que retificassem ou ratificassem. Ou seja, isso é um planejamento."

"A decisão, a posteriori daquilo que for considerado, digamos assim, coerente pelos referentes ministérios seria submetido ao presidente para que então se fechasse esse ciclo", completou. "É um estudo, um trabalho que ainda tem que ser finalizado e que só depois poderia ser submetido à decisão dele [Bolsonaro]."

Mourão declarou ainda considerar que a proposta de expropriação é "fora da legislação", mas não enterrou de vez o assunto. Questionado se a medida ainda seria analisada, ele optou por desconversar.

"Vamos com calma nisso aí. Não é decisão. Já é publicado [pela imprensa] como se fosse uma decisão, aí gera o que? Gera um incômodo para o presidente."

"Isso é um estudo. O ministério que é o responsável por isso aí, o da Agricultura, vai dizer o que cabe, o que não concorda. Não sei se vai ser analisado. Agora, com esse documento totalmente nas mãos de quem não devia estar e que vem utilizando da forma que eu não considero a mais correta."

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