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Mourão destoa de Bolsonaro e diz que Biden pode ser parceiro na Amazônia

Reprodução BandNews
Imagem: Reprodução BandNews

Colaboração para o UOL, em São Paulo

12/11/2020 02h40Atualizada em 12/11/2020 07h28

O vice-presidente do Brasil e presidente do Conselho Nacional da Amazônia, Hamilton Mourão (PRTB), comentou sobre as eleições nos Estados Unidos. Mourão disse que a vitória de Joe Biden não irá interferir na política ambiental brasileira, e sugeriu até eventuais parcerias.

"Uma vez que o Brasil continue com a política que tem demonstrado, nossa seriedade no trato da questão ambiental e da Amazônia, não vejo problema nenhum. Estaremos lado a lado e poderemos até usufruir de alguns investimentos que poderão ser canalizados, ou apoio financeiro para os avanços que precisamos ter na Amazônia", afirmou ao programa 'Ponto a Ponto', do Band News.

Mourão reafirmou que a relação com o Brasil é de "estado para estado" e que Biden terá outras questões para resolver antes de tratar sobre a Amazônia. Biden havia dito que, se o Brasil não cumprisse regras e protegesse a Amazônia, sofreria retaliações econômicas.

"A relação com os EUA é secular. Biden terá inúmeros problemas, como o relacionamento com a China, problemas com a Europa Ocidental e os próprios problemas internos. Ele precisa buscar uma união nacional, baixar as tensões para posteriormente se dedicar a outras questões", disse.

O posicionamento do vice-presidente destoa das declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que rebateu a possibilidade de retaliação do democrata em relação à Amazônia, argumentando: "Apenas diplomacia não dá. Quando acabar a saliva, tem que ter pólvora, senão não funciona. Precisa nem usar a pólvora, mas tem que saber que tem. Esse é o mundo".

Críticas da Alemanha e viagem de diplomatas

Sobre as recentes críticas do embaixador da Alemanha, Heiko Thoms, que após visita à Amazônia afirmou que seu país não mudou a percepção sobre a região amazônica, Mourão rebateu e disse que o Brasil tem um plano em andamento.

"Nosso plano estratégico tem três objetivos gerais, que são proteger, preservar e desenvolver. Esses objetivos se dividem em dez objetivos estratégicos secundários e agora estamos acertando os objetivos operacionais, que são as métricas, em fase de discussão com os ministérios. Todo plano tem que ser exequível, não pode ser uma mera carta de intenções", afirmou o vice-presidente.

Apesar dos comentários do embaixador alemão, Mourão disse acreditar que os objetivos da viagem foram alcançados.

"Julgo que iniciamos um diálogo mais franco e transparente, tendo como objetivos reconhecer que temos problemas e que o governo brasileiro não está de braços cruzados. Estamos fazendo tudo aquilo ao nosso alcance no sentido de proteger, preservar e principalmente buscar as melhores formas de desenvolver a Amazônia", afirmou.

Mourão ressaltou que a liderança do desmatamento ilegal está na exploração de madeira e que o Brasil precisa "estrangular" o sistema para combatê-lo.

"A liderança no desmatamento ilegal está na mão da exploração de madeira. Dissemos aos representantes da União Europeia que isso ocorre porque existe comprador e os grandes compradores estão do outro lado do oceano, isso foi deixado claro. Estamos buscando estrangular o sistema econômico desses públicos por meio da repressão de serrarias irregulares e da não liberação de cargas de madeira lavradas. A polícia tem condições de abrir qualquer carga e dizer se aquela madeira realmente provém de onde está sendo dito que ela provém, mas precisamos obviamente avançar."

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