PUBLICIDADE
Topo

Política

Esse conteúdo é antigo

Época: assessora fez saques suspeitos quando trabalhou para Flávio e Carlos

Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) está sendo investigado pelo Ministério Público - Jorge Hely/Framephoto/Estadão Conteúdo
Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) está sendo investigado pelo Ministério Público Imagem: Jorge Hely/Framephoto/Estadão Conteúdo

Colaboração para o UOL

13/11/2020 15h15

Uma assessora que trabalhou nos gabinetes do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e do atual senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) realizou saques suspeitos no período em que serviu na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro e na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), de 2007 a 2018, publicou hoje a revista Época.

De acordo com a publicação, Andrea Siqueira Valle sacou em espécie 97% de tudo que recebeu quando trabalhou para Carlos na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, em 2007 e 2008. Ao todo, foram realizados 145 saques no período.

A ex-assessora ingressou no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) em 2008, permanecendo no cargo até 2018. Neste período, ela realizou 1.428 saques.

Andrea Siqueira Valle, atualmente com 48 anos, é irmã de Ana Cristina Siqueira Valle, segunda mulher do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ela também trabalhou na Câmara dos Deputados, no gabinete do então deputado federal Jair, entre 1998 e 2006. Em 2018 ela foi exonerada por Flávio.

Mudança de padrão

Segundo a reportagem da Época, quando trabalhava no gabinete de Carlos, Andrea Siqueira Valle manteve o hábito de sacar R$ 1.000 todos os meses, perto das datas de pagamento do salário. Foram 65 saques nesse valor - de um total de um total de 145 -, sendo que os demais tinham valores frequentemente repetidos. Seu último salário bruto no gabinete de Carlos teve o valor de R$ 5.923,44 (R$ 11.195,30, corrigidos).

A revista diz que o padrão mudou quando Andrea Siqueira Valle começou a trabalhar com Flávio, em agosto de 2008. A partir de então, os saques mais frequentes passaram a ser de R$ 500, valor verificado em 1.193 dos 1.428 saques realizados no período.

Andrea ganhava um salário bruto de R$ 7.326,64 (R$ 7.766,23, em valores corrigidos) em agosto de 2018, além de um auxílio-educação de R$ 1.193,36.

Esses salários não combinavam com a vida real de Andrea, de acordo com quem a conhecia. Ela costumava reclamar da falta de dinheiro e tinha dificuldades para criar a única filha. Por muito tempo fez faxinas para sobreviver e morou em um pequeno imóvel construído no fundo da casa dos pais. Andrea nunca teve crachá no Palácio Pedro Ernesto. E na Alerj só existe um registro de pedido de identificação, feito no último ano em que ela constou como assessora.

Desde o fim do ano passado, Andrea é procurada pelos promotores que investigam o caso de Carlos e que antes eram responsáveis pela investigação do procedimento da "rachadinha" no gabinete de Flávio. Ela ainda não foi encontrada para prestar depoimento.

Filhos investigados

O MP (Ministério Público) está perto de concluir a investigação sobre Carlos. A suspeita é que ele contratou funcionários fantasmas em seu gabinete como vereador. O filho do presidente Jair Bolsonaro nega as acusações.

Já a investigação contra Flávio está mais avançada. Ele foi denunciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato. A defesa diz que as denúncias feitas pelo MP não se sustentam.

O MP tem anexado mais provas ao caso. Recentemente Luiza Souza Paes, ex-assessora de Flávio, confessou em depoimento como funcionava a "rachadinha", entrega de salários por meio de depósitos na boca do caixa.

Além disso, segundo o jornal O Globo, o MP apresentou evidências de que Flávio comprou um apartamento no Rio de Janeiro com depósitos ilegais. Até a quebra de sigilo de um corretor de imóveis surgiu como possível prova para o caso.

Política