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Com vacina, Doria fala "aos brasileiros" e manda recado a Bolsonaro

Allan Brito, Lucas Borges Teixeira e Rafael Bragança

Do UOL, em São Paulo

07/12/2020 13h58Atualizada em 07/12/2020 18h57

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi um dos principais alvos do discurso do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ao anunciar o (PEI) Plano Estadual de Imunização contra a covid-19. Em coletiva nesta segunda (7), o tucano falou para "todos os brasileiros" e voltou a fazer críticas à gestão federal.

"Triste o Brasil que tem um presidente que não tem compaixão pelos brasileiros, que abandonou o Brasil e os brasileiros", declarou Doria. "Não estamos fazendo negacionismo nem protelando o que pode ser feito de imediato."

O Palácio dos Bandeirantes evita ao máximo falar em 2022, ano de eleições. Doria é um dos cotados para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na reeleição, e o governador rejeita qualquer acusação de contexto político relacionado à vacina. Mas, hoje, Doria alçou novamente o discurso nacionalmente.

"Todo e qualquer brasileiro que estiver em solo do estado de São Paulo e pedir vacina receberá vacina gratuitamente. Não precisará comprovar residência. Fazemos parte do Brasil, respeitamos todos brasileiros e aqui vacinaremos todos que precisarem", declarou o governador.

Vacinas para outros estados

Além das vacinas voltadas ao estado de São Paulo, ele também afirmou que vai oferecer 4 milhões de doses da CoronaVac para outros entes federativos —essa quantidade é suficiente para vacinar 2 milhões de pessoas, já que são necessárias duas doses, num intervalo de 21 dias.

Ele, porém, não revelou quais governadores solicitaram a vacina a seus estados —citou apenas o prefeito eleito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), e o reeleito de Curitiba, Rafael Greca (DEM).

Doria negou mais de uma vez que haverá restrição para pessoas de outros locais que venham se vacinar no estado. "São Paulo é do Brasil, não vamos segregar pessoas. Vamos vacinar e, se precisar, comprar mais vacinas", disse o governador.

Durante a coletiva, também foi possível notar que o governo de São Paulo trocou a mensagem escrita nas peças usadas pelas autoridades como apoio. Agora, está escrito "Vacina já". Antes, os textos eram "#fiqueemcasa" e "Use Máscara".

Esse é mais um ponto de discórdia entre os governos federal e estadual. A versão inicial do plano de imunização contra covid-19 lançado pelo Ministério da Saúde diz que o início da vacinação deve ocorrer em março. Doria voltou a questionar este cronograma, como já havia feito na semana passada.

"Por que vacinar em março se podemos começar a vacinar em janeiro? Para atender a um capricho de alguém que, sentado no Palácio do Planalto, acha que tem que ser uma vacina só?", disse o governador.

Possível integração

Do lado do Planalto, Bolsonaro tem usado a vacina para atacar o governador. Em outubro, o presidente desautorizou publicamente o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que havia anunciado a intenção de compra da CoronaVac, a qual chamou de "vacina chinesa de João Doria".

Com plano lançado, o governo paulista tenta, agora, articular com o governo federal uma possível integração, mas o Planalto não tem mostrado sinais.

"Nós estamos aguardando. O ministro [Pazuello] sempre muito gentil. Estive em Brasília na quarta-feira [2], mas nós não temos nenhuma posição formal", disse o Secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, à imprensa após a coletiva.

Questionado se essa gentileza levaria a um acordo, Gorinchteyn falou que Pazuello não está "se posicionando nem a favor nem contra" o uso da CoronaVac nacionalmente. "Só que nós temos uma crise sanitária, temos que garantir as vidas e por isso, temos que imunizar", concluiu.

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