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Marcelo Álvaro Antônio é exonerado do ministério do Turismo

Com a demissão, Marcelo Álvaro Antônio reassume seu mandato como deputado federal por Minas Gerais na Câmara - Marcos Corrêa/PR
Com a demissão, Marcelo Álvaro Antônio reassume seu mandato como deputado federal por Minas Gerais na Câmara Imagem: Marcos Corrêa/PR

Do UOL, em São Paulo*

10/12/2020 04h02Atualizada em 10/12/2020 08h26

A demissão de Marcelo Álvaro Antônio do Ministério do Turismo foi publicada na madrugada desta quinta-feira no DOU (Diário Oficial da União). Gilson Machado, que comandava a Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), está confirmado como novo ministro.

Marcelo Álvaro Antônio acusou o chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, de ser "traíra" e de conspirar para tirá-lo do cargo de ministro em um grupo no WhatsApp. A informação foi dada inicialmente pela revista Veja e confirmada pela colunista do UOL Carla Araújo.

O ex-ministro do Turismo alegou que Ramos negociou a pasta com o centrão, um grupo de partidos de centro e centro-direita do Congresso que recentemente se aliou ao governo Bolsonaro. Na avaliação de Marcelo Álvaro Antônio, a medida seria uma articulação para conseguir a eleição de um aliado na eleição para presidente da Câmara dos Deputados no ano que vem.

A briga irritou Jair Bolsonaro (sem partido), que já pretendia demitir Marcelo Álvaro Antônio e resolveu antecipar a queda do chefe do Turismo. O agora ex-ministro foi recebido no início da tarde de ontem por Bolsonaro e pediu desculpas a Ramos, mas a decisão da demissão já estava tomada.

Oficialmente, o presidente não falou sobre a exoneração, mas ontem, a apoiadores, disse que Gilson Machado havia se tornado ministro.

Com a demissão, Marcelo Álvaro Antônio deve reassumir seu mandato como deputado federal por Minas Gerais na Câmara.

Acusações

Na mensagem enviada em um grupo interno do governo, Álvaro Antônio acusou Ramos de entrar na sala de Bolsonaro "comemorando algumas aprovações insignificantes no Congresso".

"Não me admira o Sr. Ministro Ramos ir ao PR pedir minha cabeça, a entrega do Ministério do Turismo ao Centrão para obter êxito na eleição da Câmara dos Deputados", diz o texto.

Ele afirmou ainda que Ramos não revela ao presidente "o ALTÍSSIMO PREÇO que tem custado as aprovações de certas matérias no Congresso.

"Não temos uma base sólida no Congresso Nacional, (tanto que o Sr pede minha cabeça pra tentar resolver as eleições do parlamento, ironia, pede minha cabeça pra suprir sua própria deficiência)...", escreveu o então titular do Turismo.

Álvaro Antônio disse ainda que Ramos queria sua demissão e reclamou de traição. "O Sr. deveria ter aprendido na sua própria formação militar que não se joga um companheiro de guerra aos inimigos, não se pode atirar na cabeça de um aliado", postou.

Por fim, alegou que Ramos "é exemplo de tudo que não quero me tornar na vida".

"Quero chegar ao fim da minha jornada EXATAMENTE como meus pais me ensinaram, LEAL aos meus companheiros e não um traíra como o senhor."

O ministro da Secretaria de Governo foi procurado para comentar o teor da mensagem, mas não quis comentar.

Ex-ministro investigado

Durante sua gestão no Turismo, Marcelo Álvaro Antônio foi denunciado pelo MP-MG (Ministério Público de Minas Gerais) sob suspeita de ser o líder de um esquema de candidaturas laranjas nas eleições de 2018, caso este revelado pela Folha de S.Paulo no início de 2019.

O ministro foi acusado pelo órgão pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa, que têm penas máximas de cinco, seis e três anos de cadeia, respectivamente.

Na época em que Álvaro Antônio foi denunciado pelo MP, Bolsonaro saiu em defesa do ministro, dizendo que "isso é uma covardia" e que "quem fez esse inquérito agiu de má-fé". O agora ex-ministro alega ser inocente das acusações.

* Com informações do Estadão Conteúdo

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.