PUBLICIDADE
Topo

Política

Conteúdo publicado há
1 mês

Doria ataca Bolsonaro e diz que vacina serve como lição para negacionistas

O governador de São Paulo, João Doria, mostra caixa da CoronaVac - DANILO FERNANDES/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
O governador de São Paulo, João Doria, mostra caixa da CoronaVac Imagem: DANILO FERNANDES/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

Leonardo Martins, Rafael Bragança e Allan Brito

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL

18/01/2021 14h25

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), voltou a criticar hoje Jair Bolsonaro (sem partido) e os apoiadores dele, ao falar sobre o início da vacinação contra covid-19. Doria afirmou que esse momento serve como uma lição para quem nega a gravidade da doença.

"Hoje é um dia de esperança. Espero que um de paz, já que temos a vacina agora. Espero que isso sirva de lição para negacionistas, terraplanistas e aqueles que preferem fazer terrorismo na internet, ao invés de compreender a importância do Brasil ter vacina. As pessoas de bem compreendem a importância de ter essa vacina que salva", afirmou Doria, em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes.

Doria foi mais direto quando perguntaram sobre as críticas que Bolsonaro costuma fazer contra a China. O presidente afirmou, no ano passado, que não compraria a CoronaVac, vacina produzida no laboratório chinês SinoVac, exatamente porque o país asiático teria um "descrédito" com o Brasil.

"Se o presidente e seus filhos pararem de falar mal da China, isso já ajuda bastante. Pois os insumos das vacinas da Astrazeneca e do Butantan são produzidos na China. E são as duas únicas vacinas aprovadas pela Anvisa. Pelo menos se não atrapalhar, já é uma ajuda", afirmou Doria.

Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, lembrou que a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) está esperando insumos que virão da China para produzir as vacinas desenvolvidas pela farmacêutica Astrazeneca, em parceria com a Universidade de Oxford.

"Eles dependem de matéria-prima para chegar da China. As duas matérias-primas, do Butantan e da Fiocruz, virão da China. Precisamos ter autorização do governo chinês para exportar. Isso iguala as duas, porque as duas precisam do suporte do governo federal. Então o governo federal tem que se preocupar com essa relação com o governo chinês", alertou Dimas.

No começo da entrevista coletiva, Doria criticou a ausência de outras vacinas no Brasil atualmente. O governo federal disse que comprou 2 milhões de doses prontas que estão na Índia, mas o avião que buscaria esses imunizantes ainda não decolou.

"É curioso que o governo que defendia enfaticamente a vacina de Oxford, que também somos a favor, hoje silencia. Curioso também que a aeronave adesivada com slogan do governo federal, como parte do marketing do governo federal, continue parada para buscar uma vacina que não existe", cutucou Doria.

Ontem, enquanto Doria promovia em São Paulo a vacinação da primeira pessoa contra a covid-19 no Brasil, o Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, falava que o ato era uma "jogada de marketing" em entrevista coletiva no Rio de Janeiro. Doria respondeu que a fala do ministro era "inacreditável". O atrito foi apenas mais um capítulo de uma disputa política pela vacina que vem sendo alimentada há meses.

Disputa pela vacina

Desde que Bolsonaro desautorizou Pazuello em um compromisso de compra da CoronaVac em outubro, o presidente da República e Doria intensificaram os ataques. Bolsonaro insistiu em pregar a desconfiança sobre a vacina, alegando que ela seria chinesa, e que o Ministério da Saúde não contaria com o imunizante para o PNI (Programa Nacional de Imunização).

Doria, por sua vez, defendeu a segurança e a eficácia da vacina, e criticou por diversas vezes o governo federal por não fazer sua parte para garantir doses suficientes para iniciar a vacinação contra a covid-19. O conflito acabou com um acordo entre o governo paulista e o federal, para a inclusão da CoronaVac no PNI.

Política