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1 mês

Doria pede para Bolsonaro resolver 'mal-estar' com a China por mais vacinas

João Doria criticou o fato do governo Bolsonaro atacar outros países - Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
João Doria criticou o fato do governo Bolsonaro atacar outros países Imagem: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Leonardo Martins, Rafael Bragança e Allan Brito

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL

20/01/2021 14h48

O Governador de São Paulo, João Doria, está preocupado com o relacionamento entre a China e o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido). Ele acredita que há um desgaste e que isso pode atrapalhar a chegada de vacinas para covid-19. Segundo Doria, não há qualquer problema de relacionamento com o laboratório chinês SinoVac. Mas existe um "mal-estar" entre os governos federais.

"Há um mal-estar claro do governo chinês com o governo brasileiro. Isso é óbvio. Não é por outra razão que o Presidente da Câmera, Rodrigo Maia, foi se encontrar com o embaixador da China hoje. Há um mal-estar após tantas agressões do Jair Bolsonaro contra a China, contra a vacina da China, suportado por manifestações de dois dos seus filhos, Carlos e Eduardo. Há um mal-estar que precisa ser superado", pediu Doria em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes.

As duas vacinas que já foram aprovadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para uso emergencial no Brasil dependem de insumos vindos da China. Ontem, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que vai receber os insumos da fábrica chinesa da AstraZeneca, confirmou que as substâncias chegarão atrasadas e por isso a produção só ficará pronta em março. Doria lembrou disso e destacou que o presidente Jair Bolsonaro e seus filhos não estão se esforçando para melhorar a situação.

"Eu não vi manifestação do presidente sobre isso. Nem dos filhos, nem do Eduardo, que é presidente da Comissão das Relações Exteriores. Muito menos do Ministro das Relações Exteriores. Portanto é um bom momento para solicitar que a chancelaria brasileira, o Ministro da Saúde e o presidente Bolsonaro tratem com respeito a China, diante de uma necessidade que temos", cobrou Doria.

O governador também lembrou que Bolsonaro costuma manter uma relação de conflito com outros países e citou o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que foi empossado hoje.

"Isso é uma posição equivocadíssima da diplomacia do governo Bolsonaro de ficar agredindo outros países. Agrediu China, França, Alemanha e países nórdicos. Temos que ter uma relação de respeito. Agrediu inclusive os Estados Unidos, ao ficar agarrado na figura do Donald Trump, derrotado nas eleições americanas. E agora, como será com Biden? Um governo que se colocou negacionista e exaltou Donald Trump durante esses últimos dois anos. Mas agora é hora de mudar. E mudar já, porque precisamos dos insumos para salvar brasileiros", completou Doria.

Nesta semana, o governo federal criticou Doria e disse que ele faz marketing com a vacinação. O Ministro Eduardo Pazuello ficou irritado com o ato simbólico, realizado em São Paulo, no qual o governador apareceu ao lado da primeira pessoa vacinada no país.

Já Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, aumentou hoje a cobrança sobre o governo federal. Ele afirmou que o Ministério da Saúde ainda não efetivou a compra de todas as 100 milhões de doses da CoronaVac. O Ministro Eduardo Pazuello chegou a afirmar publicamente que tinha feito isso, mas Dimas negou e afirmou que apenas 46 milhões de doses estão asseguradas por contrato.

"Para depois das 46 milhões de doses, existe a possibilidade de oferecer 54 milhões de doses, desde que haja manifestação prévia do Ministério da Saúde. Isso estava sendo cogitado, mas na hora do contrato vieram especificadas apenas 46 milhões de doses, com possível opção de compra adicional para mais 54 milhões de doses. Então não existe manifestação oficial nesse sentido. Estamos ansiosos para saber se haverá a encomenda adicional de 54 milhões, porque serão necessárias. Seria bom que ministério se manifestasse pra gente se preparar pra essa produção", disse Dimas.

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