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8 meses

Após avisar que 'influiria' em eleição, Bolsonaro diz: 'fiquei na torcida'

Jair Bolsonaro (sem partido) comemorou vitória de seus dois candidatos - Alexandre Neto/Photopress/Estadão Conteúdo
Jair Bolsonaro (sem partido) comemorou vitória de seus dois candidatos Imagem: Alexandre Neto/Photopress/Estadão Conteúdo

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

02/02/2021 10h23Atualizada em 02/02/2021 11h46

Depois de fazer campanha pública em favor de Arthur Lira (PP-AL), eleito ontem (1º chefe da Câmara, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse hoje que os parlamentares escolheram "bons candidatos" —foi definida também a nova composição da Mesa Diretora do Senado— e relatou ter ficado "apenas na torcida" pelo triunfo dos aliados.

Os dois favoritos do Palácio do Planalto venceram as disputas travadas no Parlamento. Lira derrotou o pupilo de Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tentava fazer o seu sucessor; e, no Senado, foi confirmado o favoritismo de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que é do grupo político de Davi Alcolumbre (DEM-AP), agora ex-comandante da Casa.

Para Bolsonaro, acusado por opositores de "interferir" nas eleições do Congresso ao promover publicamente as candidaturas de aliados, o dia de ontem foi fundamental. Na visão do Planalto, um resultado inverso aos interesses do governante criaria problemas em relação a votações de temas de interesse do Executivo e a inclusão na pauta de assuntos ligados ao viés ideológico bolsonarista, como a flexibilização do posse e porte de armas.

Bolsonaro disse hoje ter ficado "apenas na torcida", mas sua versão contradiz o que ele havia falado na semana passada. Na ocasião, reconheceu que tentaria influir nas eleições das Mesas do Congresso.

Ontem, Bolsonaro postou uma imagem em suas redes sociais na qual aparece cumprimentando Lira. A reação ao resultado das votações foi considerada "discreta" por aliados, mas faz parte de uma estratégia de silêncio adotada pelo Palácio do Planalto a partir de ontem.

Auxiliares avaliam que é melhor "deixar a poeira baixar" e que o mais importante, no fim das contas, já foi conquistado: a vitória da dupla apoiada pelo governo e o revés para um dos principais adversários de Bolsonaro no atual cenário político, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A eleição de Lira ficou marcada por acusações de interferência do governo federal na disputa, com a promessa de distribuição de cargos a aliados.

Com 302 votos, Lira derrotou Baleia Rossi (MDB-SP), que era apoiado pelo ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e recebeu 145 votos.

Ao todo, oito candidatos disputaram a presidência da Câmara para o biênio 2021-2022. Além Lira e Baleia Rossi, os deputados André Janones (Avante-MG), Fábio Ramalho (MDB-MG), General Peternelli (PSL-SP), Kim Kataguiri (DEM-SP), Luiza Erundina (PSOL-SP) e Marcel van Hattem (Novo-RS) também concorreram. Alexandre Frota (PSDB-SP) renunciou a sua candidatura pouco antes do início da votação para apoiar Baleia Rossi.

No Senado, Rodrigo Pacheco venceu as eleições com 57 votos. Simone Tebet (MDB-MS) teve 21.

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