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Novo afastamento de Witzel pelo STJ sela 'fim do sonho' de volta ao cargo

28.ago.2020 - Wilson Witzel em pronunciamento após ser afastado do cargo - WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO
28.ago.2020 - Wilson Witzel em pronunciamento após ser afastado do cargo Imagem: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

12/02/2021 04h00

O afastamento por mais um ano de Wilson Witzel (PSC) do cargo de governador do Rio de Janeiro, aprovado ontem por unanimidade pela Corte Especial do STJ (Superior Tribunal de Justiça), é encarado no Palácio Guanabara como um "xeque-mate" nas suas expectativas de voltar ao posto.

Isso porque é esperado que Witzel seja afastado em definitivo ainda neste semestre em processo de impeachment no Tribunal Misto formado por deputados estaduais e desembargadores do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio). O UOL apurou que, para integrantes do Tribunal Misto —cuja conclusão é esperada para maio—, a possibilidade de Witzel não perder o posto é considerada remota.

Ou seja: enquanto o STJ o afastou das funções por mais um ano, outra frente que deve ser finalizada ainda neste semestre pode fazer com que ele perca o cargo de vez.

No mês passado, a defesa de Witzel se frustrou ao ver o Tribunal Misto suspender a contagem de prazos do processo contra o ex-juiz federal. Os advogados dele esperavam que os 180 dias de afastamento definidos em agosto pelo STJ terminassem neste mês e que o prazo para a conclusão do processo de impeachment fosse encerrado em março. Com isso, Witzel estaria livre para voltar ao cargo.

No entanto, nos bastidores da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), já era considerado certo que STJ prorrogaria o afastamento de Witzel antes do esgotamento do prazo.

Além de zerar o sonho de Witzel em ocupar o Palácio Guanabara novamente, os órgãos travam uma disputa silenciosa de protagonismo com a Alerj, que integra a outra frente de investigação. Além de terem dado os primeiros passos nas investigações contra Witzel, o MPF e o STJ poderiam ver deputados da Casa, que é investigada por atos de corrupção estruturais, selando a saída do governador.

Apesar disso, os parlamentares comemoraram a decisão de ontem. No entender deles, o Tribunal Misto ficará livre para julgá-lo, sem se preocupar com as frequentes tentativas da defesa do governador em atrasar o processo com recursos judiciais.

Desde o início das investigações, Witzel tem negado envolvimento com qualquer esquema de corrupção. Na noite de ontem, ele disse que fará a sua defesa "com a certeza de que será absolvido".

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