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Baixo Clero

A jornalista Carla Bigatto conduz com analistas um papo sobre temas que dominam a pauta política.


Schelp: Daniel Silveira pode acabar sendo o mártir de atos contra o Supremo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

19/02/2021 04h00

Atacar o STF (Supremo Tribunal Federal), ameaçar seus ministros, ser preso e, ainda assim, ter a chance de sair vitorioso politicamente. A análise é do colunista Diogo Schelp em relação aos ataques e à prisão do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ) no episódio #73 do Baixo Clero, podcast de política do UOL.

Na quarta-feira (17), o parlamentar foi preso em flagrante, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, logo após publicar um vídeo ofensivo ao Supremo. Nele, entre outras coisas, ele diz que, se tivesse a oportunidade, surraria Edson Fachin, um dos magistrados da Suprema Corte brasileira.

Para Schelp, é real a chance de o deputado bolsonarista angariar votos com tal episódio. "No fim das contas, pode ter atingido o objetivo dele de, politicamente, se tornar um mártir desse autoritarismo do STF, como eles gostam de dizer. De [ir contra] esse STF golpista, como dizem", afirma o colunista do UOL (veja a partir de 33:00 no vídeo acima).

Seguindo esta lógica de que o Supremo é um Poder combativo ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus apoiadores, Silveira teria um lucro. "E, dessa forma, pode capitalizar politicamente", diz.

O parlamentar nunca escondeu seu apoio ao presidente. Integra um núcleo de bolsonaristas conhecido como "pitbulls do presidente", de apoio fervoroso.

Silveira é alvo de investigações sobre atos antidemocráticos e sobre fake news, ambos inquéritos tocados no STF. Bolsonaro já tentou protegê-lo, indiretamente, no episódio em que cobrava do então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, a troca no comando da Polícia Federal.

Durante o Baixo Clero, Maria Carolina Trevisan concordou com a teoria discorrida por Schelp. Segundo ela, existe uma lógica de ir contra o que a democracia significa para fortalecer uma base eleitoral antidemocrática.

"Isso não ganha eleição. Talvez ele queira se posicionar para o presidente, e não para o PSL, que está rachado", afirma (veja a partir de 33:31 no vídeo acima).

No entanto, a colunista diz que os eleitores não compram mais atitudes violentas como em 2018, ano da eleição presidencial vencida por Bolsonaro.

Juliana Dal Piva, convidada do episódio #73, cita as fake news como exemplo de atitude antidemocrática que permanece ativa e driblando tentativas de combatê-la.

"Tenho acompanhado alguns grupos de Telegram dos integrantes da família Bolsonaro, de apoiadores... e [fake news] correm soltas", diz (veja a partir de 35:25 no vídeo acima). Por outro lado, concorda com o lucro político de Daniel Silveira.

"Faturou muito politicamente neste momento. Aqui, hoje, nesta semana. O quanto vai durar? É uma pergunta difícil de responder. Parece que as coisas no Brasil são muito voláteis, os apoios, o momento de alta ou baixa", cita.

Os podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts e em todas as plataformas de distribuição de áudio. Você pode ouvir Baixo Clero, por exemplo, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e Youtube —neste último, também em vídeo.