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Política

Mariana Varella: Igualar falas de Drauzio e Bolsonaro não faz sentido

Colaboração para o UOL

06/03/2021 15h00

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vem negando que tenha chamado a covid-19 de gripezinha, como fez no dia 25 de março de 2020 em pronunciamento. Segundo ele, essa declaração teria sido feita pelo médico Drauzio Varella. Filha do doutor, Mariana Varella condenou a a afirmação do presidente durante sua participação na edição #75 do podcast Baixo Clero.

Segundo a jornalista, que é editora do portal Drauzio Varella, o médico de fato subestimou a pandemia, "que evoluiu muito rápido", quando tratou do assunto no início de 2020, mas que tanto ele quanto outros especialistas logo mudaram de ideia quando perceberam o tamanho do impacto. Enquanto isso, o presidente manteve a mesma postura negacionista em relação ao efeito devastador da pandemia.

"O problema não é de quem errou, é quem insiste no erro", afirma Mariana (ver a partir de 22:15 no vídeo acima) quando questionada pelo colunista do UOL Diogo Schelp, titular do Baixo Clero, sobre o argumento de bolsonaristas que atacam o médico para defender o presidente.

No início de 2020, Drauzio afirmou que o vírus não tinha o potencial devastador como o da gripe espanhola, pandemia do início do século 20. "Não [se pode equivaler as falas], pois foram feitas em momentos muito diferentes. Quando Drauzio falou, não tínhamos casos identificados no Brasil e afirmou com o que tinha disponível. Quando pandemia avançou à Itália e vimos a devastação, ele mudou de ideia e disse que [a pandemia] era muito mais séria", afirma (ver a partir de 21:10 no vídeo acima).

Bolsonaro definiu a covid-19 como "gripezinha" em mais de uma ocasião. No dia 20 de março de 2020, disse que "depois da facada [se referindo ao ataque nas eleições de 2018], não vai ser gripezinha que vai me derrubar, não, tá okay? Se o médico ou o Ministério da Saúde recomendar um novo exame, eu farei. Caso contrário me comportarei como qualquer um de vocês aqui presente", disse, quando questionado se havia contraído o vírus em viagem aos Estados Unidos.

A jornalista Mariana Varella compara a declaração do médico com posicionamento de doutores que consideravam a hidroxicloroquina um medicamento eficaz e a receitavam para a prevenção da covid-19 mas, com estudos confirmando a sua ineficiência, afastaram a hipótese e pararam de oferecer aos pacientes.

"É diferente de quem pensou em abril do ano passado e quem pensa assim hoje. Não é a mesma coisa. Naquele momento estávamos no escuro, não sabíamos do vírus", complementa Mariana (ver a partir de 22:50 no vídeo acima).

Pai vacinado

Enquanto convive com recorrentes comparações entre a fala de seu pai e a do presidente Jair Bolsonaro, a Mariana Varella comemora o fato de o médico, de 77 anos, já ter sido vacinado contra a pandemia - o que ocorreu no dia 15 de fevereiro.

Maria Carolina Trevisan, colunista do UOL, questionou Mariana como ela reagiu ao ter um ente querido vacinado.

"Como filha, é maravilhoso. Dá um alívio enorme, embora saibamos que, mesmo quem se vacinou, tem que continuar adotando as medidas de prevenção. Dá um alívio de pensar que está protegido de desenvolver quadros graves. É muito bom", descreveu a jornalista (ver a partir de 23:10 no vídeo acima).

Os podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts e em todas as plataformas de distribuição de áudio. Você pode ouvir Baixo Clero, por exemplo, em todas as plataformas de distribuição de áudio, como Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e também YouTube —neste último, também em vídeo.

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