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Eduardo Bolsonaro fala que ditadura foi 'vontade popular'; 434 morreram

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) voltou a defender a ditadura militar de 1964, que teve 434 mortes e desaparecimentos - Pedro Ladeira/Folhapress
O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) voltou a defender a ditadura militar de 1964, que teve 434 mortes e desaparecimentos Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

31/03/2021 12h20Atualizada em 31/03/2021 12h23

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) defendeu que a ditadura militar, que gerou 434 mortes e desaparecimentos, foi feita "seguindo a lei" e a "vontade popular" para garantir a "democracia".

O parlamentar escreveu a declaração nas redes sociais na manhã de hoje e sugeriu aos seguidores que assistissem um discurso feito pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), da época em que era deputado federal.

"Quer saber mais sobre como as Forças Armadas agiram em 1964 seguindo a LEI e a VONTADE POPULAR, para garantir a DEMOCRACIA? Assista esse discurso do então Deputado @JairBolsonaro , realizado em 2014 (mas que também segue bastante atual e pertinente)", escreveu o deputado.

A aprovação da ditadura militar não é novidade no governo Bolsonaro, mas voltou a ser foco de discussões com a aproximação da data em que o golpe foi instaurado — em 31 de março de 1964 — e após a declaração do novo ministro da Defesa, general Braga Netto.

O general afirmou que o ato que desarticulou a democracia no país deveria ser "celebrado" como um "movimento" que permitiu "pacificar o país", seguindo a mesma linha do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"As Forças Armadas acabaram assumindo a responsabilidade de pacificar o País, enfrentando os desgastes para reorganizá-lo e garantir as liberdades democráticas que hoje desfrutamos", disse o general.

Braga Netto convocado para justificar iguarias compradas para Forças Armadas

A Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Federal aprovou hoje a convocação do ministro Braga Netto para dar explicação sobre compras envolvendo iguarias para as Forças Armadas. Entre os produtos adquiridos constam cervejas, bacalhau, salmão e filé mignon.

O requerimento do deputado Elias Vaz (PSB-GO) foi aprovado de forma unânime. Braga Netto é obrigado a comparecer por se tratar de uma convocação, e não um convite. A previsão é de que a audiência ocorra na próxima semana.

"Queremos saber por que o governo federal gastou milhões com picanha, cerveja, bacalhau, salmão e filé mignon para as Forças Armadas, um cardápio muito distante da realidade da maioria dos brasileiros", afirmou o parlamentar no requerimento.

Ditadura nunca mais

Nas redes sociais, a hashtag #DitaduraNuncaMais está entre as de maior destaque hoje. Opositores do governo Bolsonaro alegam que o país não pode aceitar elogios ao golpe.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, escreveu hoje nas redes sociais que a ditadura de 1964 não deve ser exaltada.

"O dia 31/03 não comporta a exaltação de um golpe que lançou o país em anos de uma ditadura violenta e autoritária. Ao contrário: é momento de exaltar o valor da nossa democracia conquistada com suor e sangue. Viva o Estado de Direito. #DitaduraNaoSeComemora".

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), também se manifestou sobre o caso e alegou que o país não pode aceitar elogios à ditadura.

"Não podemos aceitar elogios ou festejos à ditadura militar. Só mesmo pessoas descoladas da realidade cometem tal atrocidade. Os anos de chumbo são uma triste memória do nosso país. Nossa luta é para que dias como aqueles nunca mais se repitam", escreveu Sâmia Bomfim (PSOL), vereadora de São Paulo.

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