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Coronavírus

Candidato a prefeito pelo PSDB, policial de SP elogia Bolsonaro por vacina

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

08/04/2021 12h49

O policial civil Fabiano de Aquino Frigo, candidato do PSDB no ano passado a prefeito da cidade de Tapiratiba (interior de São Paulo), gravou um vídeo depois de se vacinar contra a covid-19, ontem, dando os créditos pela imunização ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e criticando "governadores escórias".

Em São Paulo, estado onde vive o policial, o governador é João Doria, do mesmo partido pelo qual Frigo se candidatou no ano passado. Tapiratiba é uma pequena cidade, de 13 mil pessoas, próxima da divisa com o estado de Minas Gerais e a 270 quilômetros da capital paulista.

Investigador de 1ª classe da Polícia Civil, Frigo ficou em segundo lugar na eleição do ano passado, conseguindo 25,25% dos votos. Durante a campanha, ele chegou a publicar em suas redes sociais um vídeo gravado pelo atual secretário da Casa Civil do governo paulista, o deputado estadual licenciado Cauê Macris, pedindo votos para ele.

Na gravação após a vacinação, que repercutiu entre policiais na manhã de hoje, Frigo afirmou: "Em nome de todos os servidores da segurança pública do estado de São Paulo, eu gostaria de agradecer o nosso presidente, Jair Bolsonaro, por haver disponibilizado as vacinas a nós, policiais civil, militares, da segurança penitenciária, aos guardas municipais."

O investigador acrescentou: "Se não fosse por você, senhor presidente, não fosse por você, se fosse depender desses governadores escórias, nós seríamos os últimos, seríamos aqueles que, se vacinassem a nós, seríamos os últimos depois dos presidiários."

Muito obrigado, senhor presidente, por haver disponibilizado a vacina aos funcionários da segurança pública de todo o Brasil, em especial aqui, do estado de São Paulo.
Fabiano Frigo, candidato a prefeito de Tapiratiba pelo PSDB em 2020

Em São Paulo, não foi o presidente Bolsonaro quem determinou prioridade de vacinação a agentes da segurança pública. No fim de março, após o presidente e o governador terem trocado farpas e uma disputa pela compra e produção de vacinas, Doria incluiu servidores da segurança pública nos grupos prioritários.

A vacinação de policiais militares, civis, técnico-científicos, federais, penais e guardas municipais teve início no estado na segunda-feira (5). Apesar disso, com base bolsonarista nas polícias de São Paulo, há grupos de policiais que afirmam não querer se vacinar no estado, como revelou o UOL.

Desde segunda, a reportagem pede para a SSP (Secretaria da Segurança Pública) quantos policiais se cadastraram e quantos já se vacinaram no estado, mas não tem o pedido atendido.

Material de campanha de Fabiano Frigo, candidato a prefeito de Tapiratiba em 2020 - Divulgação - Divulgação
Material de campanha de Fabiano Frigo, candidato a prefeito de Tapiratiba em 2020
Imagem: Divulgação

"Nunca apoiei o PSDB"

Em contato telefônico, Frigo afirmou que levou uma bronca internamente, que deve ter sua conduta apurada internamente e que está impedido de se manifestar sobre suas declarações. Sabendo que falava com um repórter, ele, apesar de negar uma entrevista mais longa, se defendeu.

"Tive problema funcional com esse negócio. Acabei de levar um fumo aqui pela declaração que dei. Mas já falei, já está no ar, não me arrependo, mas não vou continuar a propagar nada nesse sentido para evitar problema funcional, espero que você me entenda", afirmou.

Ele acrescentou: "Não falei em nome da CNPJ Polícia Civil, falei ontem como servidor público que trabalha na segurança pública e dos demais servidores da segurança, que são os policiais militares, que são os guardas municipais, os agentes de segurança penitenciária, nesse sentido de que nós somos sempre deixados de lado. E dessa vez aí, graças ao esforço aí, né, nós conseguimos ser vacinados."

O policial complementou que, "com certeza", falou "em nome de muito colega, que sentiu o mesmo que eu, você pode ter visto que o pessoal, no fim, começa a gritar o nome do Bolsonaro. Eu estou proibido de me manifestar sobre isso aí, senão daria uma entrevista com o maior prazer do mundo".

Sobre o fato de ter sido candidato a prefeito pelo PSDB, ele disse que nunca apoiou o partido a nível estadual e federal. "Realmente fui candidato pelo PSDB aqui. Em Tapiratiba é assim: Uma cidade pequena, do interior. Então, aqui em Tapiratiba tem o grupo do 45 e o grupo do 11, entendeu? A vida inteira foi assim", disse.

"Esses grupos, o do 11 era composto por diversas siglas, o do 45 composto por diversas siglas, mas eu sempre fui 45 de Tapiratiba. Meu partido anterior, que fui vereador por cinco vezes, é o 22. Mas eu nunca, nunca, nunca, nunca apoiei o PSDB a nível estadual nem nacional. Isso aí pode procurar que você não vai achar", finalizou.

Procurada, a assessoria de imprensa de Doria disse que o tucano não vai comentar o caso. A assessoria de imprensa da Secretaria da Saúde afirmou que, atualmente, 85% das vacinas contra a covid-19 disponíveis no país são do Instituto Butantan e que o avanço da campanha em todo o Brasil só foi possível pelo esforço do governo estadual.

"Com estas iniciativas do Governo de SP, já foram aplicadas mais de 7,2 milhões de doses na população do Estado, incluindo profissionais da ativa das forças de Segurança que passaram a integrar a campanha a partir da segunda-feira (5). A meta é vacinar mais de 180 mil policiais militares, civis, técnicos-científicos, agentes penitenciários, bombeiros, guardas municipais, policiais federais e rodoviários federais", disse.

"Mais de 50% desse público já foi vacinado e a meta é imunizar todos os integrantes de forças de segurança que estão na ativa até o próximo dia 12 de abril", complementou a pasta.

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