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Pacheco consultará técnicos para avaliar se CPI ampla é constitucional

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, vai consultar se CPI pode ampliar investigação - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, vai consultar se CPI pode ampliar investigação Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

12/04/2021 16h24Atualizada em 12/04/2021 18h16

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), vai consultar técnicos da Secretaria-Geral da Mesa e da Advocacia da Casa para avaliar se o pedido de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid ampla, com a investigação não somente de ações do governo federal mas também de estados e municípios, é constitucional.

Isso porque o artigo 146 do regimento interno do Senado estabelece que não se admitirá CPI sobre matérias pertinentes à Câmara dos Deputados, às atribuições do Poder Judiciário e aos estados.

O pedido original de CPI para a investigação de eventuais irregularidades em ações em meio à pandemia foi feito pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e abrange somente o governo federal. Na prática, se focaria no presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e no Ministério da Saúde.

Randolfe conseguiu preencher os pré-requisitos necessários, mas, o pedido ficou parado à espera de análise por mais de dois meses na mesa do Rodrigo Pacheco. Após questionamento dos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO) ao STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro da Corte Luís Roberto Barroso determinou a instalação da comissão na semana passada.

Enquanto isso, desde o início de março, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) articulava outro pedido para uma CPI que incluísse estados e municípios, sem conseguir fazê-lo decolar. O governo não queria fomentar uma CPI se a outra pedida por Randolfe realmente não tomasse forma.

O requerimento de Girão só ganhou força nos últimos dias, quando senadores governistas o enxergaram como alternativa para ampliar o escopo de atuação do colegiado e tirar o governo federal da mira dos parlamentares.

Essa estratégia ganhou força após Kajuru divulgar ontem conversa que teve com Jair Bolsonaro em que o presidente defende a inclusão de governadores e prefeitos. O presidente reclama que a CPI vai investigar somente o governo federal e afirma ter receio de que, dessa forma, o relatório da comissão seja "sacana".

Para Bolsonaro, é preciso "fazer do limão uma limonada". Kajuru concorda com as ponderações do presidente sobre a CPI e afirma que trabalhará para ampliar seu escopo. Para parte dos senadores, essa ampliação inviabiliza o funcionamento da comissão.

Na guerra de versões de CPIs que se criou no Senado, o pedido de Randolfe contava com 34 assinaturas de apoio até às 15h15 de hoje enquanto o de Girão contava com 36, segundo as assessorias dos parlamentares.

O requerimento do pedido de CPI feito por Randolfe deve ser lido por Pacheco amanhã no plenário do Senado. O procedimento é necessário para a instalação da comissão. A partir de então, os líderes partidários terão de indicar os senadores para compor a CPI.

O parecer da área jurídica do Senado vai ajudar Pacheco a decidir o que fazer com o pedido de Girão, que também já conseguiu as assinaturas mínimas necessárias de apoio para que seja instalada.

Se considerado constitucional, uma possibilidade é juntar os pedidos. Dessa forma, a CPI da covid-19 passaria a abranger União, estados e municípios, como prefere o governo.

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