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Na Câmara, filha de Flordelis diz que família medicava pastor Anderson

Flordelis é investigada no Conselho de Ética da Câmara  - Flickr/Senado Federal
Flordelis é investigada no Conselho de Ética da Câmara Imagem: Flickr/Senado Federal

Lucas Valença

Colaboração para o UOL, em Brasília

22/04/2021 16h16Atualizada em 22/04/2021 16h21

O Conselho de Ética da Câmara escutou a filha da deputada federal Flordelis dos Santos (PSD-RJ) como testemunha do caso que pode levar à perda do mandato da parlamentar. Quatro testemunhas estavam previstas para depor nesta quinta-feira (29) sobre a morte do marido de Flordelis, o pastor Anderson do Carmo, mas apenas uma compareceu.

Roberta dos Santos, filha adotiva da deputada e do pastor, afirmou que "nunca soube" que Niel (como era conhecido o marido de Flordelis) era envenenado, mas sabia que a congressista dava "remédios" ao marido.

"Eu já vi pessoas que tomaram acidentalmente o suco que era preparado e acabaram passando mal. Mas nunca soube que envenenavam... para morrer mesmo", contou.

Ao ser questionada sobre quem participava do "plano de morte", a filha disse que, no começo de 2019, o pai chegou a lhe contar que havia descoberto um "rascunho de iPad" em que membros da casa tramavam a morte dele. "Só que ele não acreditou", explicou.

Depoimentos

O convite à filha de Flordelis para que ela prestasse depoimento foi feito pelo deputado Alexandre Leite (DEM-SP), relator do processo nº 22/21 que apura a conduta da deputada no caso. Se Flordelis tiver o mandato cassado, ela deve ser presa.

Por sua condução, porém, Leite foi acusado pela defesa da congressista de parcialidade. O presidente da comissão, o deputado Paulo Aziz (DEM-BA), porém, decidiu não aceitar o pedido elaborado pelos advogados para suspender o relator.

Ao se pronunciar, a advogada Janira Rocha, que defende a deputada, reclamou que as oitivas estão sendo marcadas "muito próximas umas das outras", e solicitou o adiamento do depoimento das próximas testemunhas, Simone dos Santos Rodrigues e Marli Teixeira da Silva, previsto para segunda-feira (26).

Em resposta, o relator Alexandre Leite afirmou que "as pessoas confundem o sistema penal com o processo dentro do Conselho de Ética". Assim, ele defendeu que o prazo é adequado.

O caso

A deputada é acusada pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) por "arquitetar o homicídio" de seu marido, "arregimentar e convencer o executor direto e demais acusados a participarem do crime sob a simulação de ter ocorrido um latrocínio" e também "financiar a compra da arma e avisar da chegada da vítima no local em que foi executada".

Simone dos Santos Rodrigues é acusada de participação no crime ao lado de Lucas Cézar dos Santos e Flávio dos Santos Rodrigues, outros dois filhos de Flordelis. Em depoimento à polícia, feito em janeiro, Simone admitiu que pagou R$ 5 mil para matar o pastor Anderson. O dinheiro teria sido entregue para sua irmã, Marzy Teixeira.

Em fevereiro, a Justiça do Rio decidiu suspender Flordelis do exercício das suas funções públicas. Os desembargadores da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro acompanharam por unanimidade o voto do relator Celso Ferreira Filho, em julgamento por videoconferência.

"Sou inocente"

Em entrevista concedida ao SBT, no ano passado, Flordelis alegou ser inocente e disse não estar preparada para a prisão.

"E não vou ser [presa], porque eu sou inocente e tenho certeza que a minha inocência será provada nos próximos dias", disse ela. "Eu não matei. Eu não fiz isso do que estão me acusando. Eu não fiz. Não é real, não é verdade. É uma injustiça".

Na ocasião, Flordelis também chorou e disse amar o marido assassinado. "Eu preciso saber quem mandou matar o meu marido. Eu não sei [quem mandou matá-lo]. Se eu soubesse, eu falaria aqui, agora. Quem mandou matar o meu marido está desgraçando com a minha vida."

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