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Fala de Bolsonaro sobre China causa polêmica em reunião com Carlos França

O ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto de Franco França - Marcos Correa/Presidência da República
O ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto de Franco França Imagem: Marcos Correa/Presidência da República

Da Agência Senado *

06/05/2021 16h05Atualizada em 06/05/2021 18h56

A declaração dada ontem pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), insinuando que a pandemia de coronavírus seria parte de uma "guerra biológica" chinesa e que "os militares sabem disso", teve forte repercussão na audiência da CRE (Comissão de Relações Exteriores) do Senado com o chanceler Carlos França hoje.

A presidente da CRE, Kátia Abreu (PP-TO), considerou a fala de Bolsonaro uma "acusação muito grave" e disse que "nem dormiu direito" por temer algum tipo de retaliação do governo chinês. A principal preocupação da senadora é que a grande exportação de setores de nossa economia para a China, especialmente o agronegócio, possa ser prejudicada.

Kátia revelou que desde que o presidente fez essas declarações, ela foi procurada por centenas de grandes exportadores brasileiros para a China, que mandaram mensagens e fizeram ligações telefônicas, preocupados com as consequências da fala de Bolsonaro. A senadora acrescentou que se em 2020 o Brasil teve um superávit na balança comercial que superou U$ 50 bilhões, foi graças à China.

"Sem as compras chinesas, o superavit teria sido de U$ 18 bilhões. A China é nosso maior parceiro comercial desde 2009, e o Brasil precisa entender que o crescimento deles nos favorece. Se a China crescer 5% por ano nos próximos 10 anos, o aumento de nossas exportações será ainda mais exponencial", detalhou.

Na resposta à senadora, o ministro das Relações Exteriores concordou com o diagnóstico de Kátia de que o crescimento chinês favorece o Brasil. França revelou ainda que conversou nesta quarta-feira (5) com o presidente Bolsonaro, que lhe garantiu que "nossas relações com a China devem continuar sendo as melhores" e que não teria se referido especificamente ao país quando mencionou a "guerra biológica".

O ministro reforçou que o Brasil não tem "nenhum problema político com a China" e disse que conversou nesta quinta com o embaixador brasileiro em Pequim, Paulo Estivallet.

"O diplomata Estivallet me deu excelentes notícias: 80% dos IFAs (insumos farmacêuticos) fabricados pela China são enviados ao Brasil. Em contato que teve com autoridades chinesas hoje, Estivallet me comunicou que eles continuarão priorizando nosso país", esclareceu França.

Patentes

Ainda durante a audiência na Comissão de Relações Exteriores, Carlos França disse que o governo ainda está buscando entender a mudança de postura dos Estados Unidos na OMC (Organização Mundial do Comércio) em relação à quebra de patentes de vacinas contra a covid-19.

De qualquer forma, a posição brasileira, de se opor a uma quebra de patentes de imunizantes contra o novo coronavírus, "não mudou", segundo o ministro.

"Nossa impressão é que a maioria dos países continuará dependendo da cooperação das farmacêuticas, e eu penso que o Brasil não pode se afastar de investidores e produtores de vacina", disse França.

Ontem, Joe Biden, presidente dos EUA, resolveu apoiar o pedido de suspensão dos direitos de propriedade intelectual sobre vacinas contra a covid-19, algo que vinha sendo pedido por países como a Índia e a África do Sul.

A mudança histórica de posição dos EUA foi anunciada pela representante do país na OMC, Katherine Tai. Carlos França disse que, amanhã, terá uma reunião com a enviada para entender a posição americana.

Após o anúncio de ontem, a UE (União Europeia) sinalizou com a ideia de seguir a postura dos EUA e passar a ser a favor da quebra de patentes. Tanto o bloco quanto o país americano sediam diversas grandes empresas farmacêuticas que produzem vacinas contra a covid-19.

* Com informações da Estadão Conteúdo e da Reuters

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