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'Parece que o governo tentou a imunidade coletiva', diz Randolfe Rodrigues

Senador e vice-presidente da CPI da Covid Randolfe Rodrigues analisou os depoimentos que já foram prestados  - Adriano Machado/Reuters
Senador e vice-presidente da CPI da Covid Randolfe Rodrigues analisou os depoimentos que já foram prestados Imagem: Adriano Machado/Reuters

Colaboração para o UOL

06/05/2021 09h42

Em entrevista à CNN, o senador e vice-presidente da CPI da Covid Randolfe Rodrigues (Rede-AP) analisou os depoimentos que já foram prestados e comentou a expectativa para os esclarecimentos do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que acontece hoje às 10h.

"Hoje nós teremos uma sequência na CPI porque nos depoimentos anteriores, no meu sentir, revelaram uma estratégia adotada pelo governo do Bolsonaro. Parece que estava claro que durante as gestões dos ministros Nelson Teich e Marcelo Mandetta, haviam constituído uma espécie de gabinete de enfrentamento da pandemia paralela, inclusive a instituição desse gabinete paralelo como uma estratégia levou a demissão dos dois ex-ministros. Está claro que esse gabinete paralelo buscava uma estratégia: a chamada imunidade coletiva ou imunidade de rebanho. Isso fica claro, principalmente pelo incentivo do uso indiscriminado do tratamento precoce, do incentivo às aglomerações, campanhas contra o uso de mascaras e negativa as vacinas no ano passado", disse.

"O que foi chamado de gabinete paralelo, se institucionalizou durante a gestão do também ex-ministro Eduardo Pazuello. Já o doutor Marcelo Queiroga, que é um médico formado e consciente das medidas de prevenção, enfrenta essa contradição de posicionamento do presidente da república", completou.

Questionado sobre o posicionamento do presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, o senador relembrou as atitudes contrárias às medidas de prevenção de Torres.

"Eu quero lembrar que no começo da pandemia o Barra Torres participou de aglomerações com o presidente Jair Bolsonaro, sem o uso de máscaras. "É necessário compreender o que o presidente da Anvisa pensa sobre esse tipo de comportamento. Outro ponto é que no início da pandemia a Anvisa chegou a ir para a justiça contra a medição de temperatura em alguns aeroportos brasileiros. Por isso precisamos entender o porquê dessas atitudes, além de entender também o atraso da autorização para o uso da coronavac", declarou.

Randolfe também criticou o ministro da Economia, Paulo Guedes, por suas declarações contra a China e disse que ele pode ser ouvido na CPI da Covid.

"O ministro Paulo Guedes parece que faz um enorme esforço para vir a ser ouvido na CPI da Covid. As declarações dele contra a China quando mais precisamos de insumos chineses, o divórcio da condução do enfrentamento da pandemia entre ele e Mandetta, tudo isso chama atenção. Mas ainda precisamos avaliar, ter a cautela necessária. Não vamos chamar por chamar, vamos convocar aqueles que podem explicar pontos que nos levaram a perder tantas pessoas pelo coronavírus", finalizou.

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