PUBLICIDADE
Topo

Renan pergunta 11 vezes a Queiroga sobre cloroquina; ministro não responde

Do UOL, em São Paulo

06/05/2021 17h31

O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros, tentou por 11 vezes perguntar ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se ele concorda ou não com o tratamento precoce e o uso da cloroquina contra a covid-19, medida sempre defendida pelo governo de Jair Bolsonaro. Queiroga se esquivou de todas as tentativas, e não respondeu a nenhuma delas feita pelo senador.

"[A] V. Exa. compartilha da opinião do presidente da República sobre o tratamento precoce, especialmente sobre o uso da cloroquina para pacientes de covid-19?", quis saber Renan Calheiros, durante a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga ações do governo federal em meio à pandemia.

"Essa é uma questão técnica que tem que ser enfrentada pela Conitec [Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS]", justificou Queiroga, em seguida.

Após a abordagem, houve tumulto e bate-boca entre parlamentares da oposição e da base governista. Renan Calheiros finalmente desistiu de fazer o questionamento a Queiroga depois de 8 minutos de tentativas frustradas. (Veja abaixo)

"Presidente, eu vou passar para a pergunta seguinte, porque confesso que não conseguimos a resposta com relação a essa", admitiu.

O governo de Jair Bolsonaro gastou recursos públicos e mobilizou uma estrutura do Estado para incentivar o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19. São remédios obrigatórios em nota informativa do Ministério da Saúde para o chamado tratamento precoce, como Tamiflu (fosfato de oseltamivir), cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina, que compõem o chamado "kit Covid", conforme publicou reportagem do jornal "Folha de S.Paulo".

Segundo a Folha, o governo federal gastou R$ 126,5 milhões com esses remédios para destiná-las a pessoas infectadas com a covid. Foram distribuídos 31 milhões de comprimidos aos estados.

Tentativas de Renan durante a CPI

  • Renan Calheiros: "Em relação ao uso da cloroquina para tratamento precoce da Covid, que parece ter se tornado uma obsessão do Presidente da República, como confirmaram em depoimentos a esta Comissão Parlamentar de Inquérito tanto o Ministro Mandetta quanto o Ministro Teich: V. Exa., sinceramente, recebeu alguma orientação do Presidente da República, expressa ou velada?"
  • Renan Calheiros: "V. Exa. compartilha da opinião do Presidente da República sobre o tratamento precoce, especialmente sobre o uso da cloroquina para pacientes de covid-19?"
  • Renan Calheiros: "Eu perguntei ao senhor... A Conitec virá na sequência. O senhor compartilha esse ponto de vista do Presidente?"
  • Renan Calheiros: "V. Exa. compartilha da opinião do Presidente da República sobre o tratamento precoce, especialmente sobre o uso da cloroquina para pacientes da covid-19? Objetivamente."
  • Renan Calheiros: "Então não compartilha?"
  • Renan Calheiros: "Então, tecnicamente, o senhor não compartilha com o Presidente?"
  • Renan Calheiros: "Mas eu estou aguardando a resposta. Estou aguardando a resposta."
  • Renan Calheiros: "Ministro, com todo o respeito, não estamos tratando de instância, é uma pergunta objetiva: o senhor compartilha com o que o Presidente pensa ou não? É essa a pergunta."
  • Renan Calheiros: "O senhor compartilha ou não as opiniões do Presidente? É uma pergunta objetiva. O senhor pode dizer "sim" ou "não"."
  • Renan Calheiros: "O senhor compartilha, então?"
  • Renan Calheiros: "[O senhor compartilha] que o Presidente defende --inclusive ontem defendeu novamente. O senhor compartilha ou não? É a pergunta!"
  • Renan Calheiros: "Então, o senhor compartilha?"
  • Renan Calheiros: "Presidente, eu vou passar para a pergunta seguinte, porque confesso que não conseguimos a resposta com relação a essa."

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.