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Conteúdo publicado há
1 mês

Senadora critica colegas por fazerem 'verdadeira apologia' à cloroquina

Do UOL, em São Paulo

06/05/2021 15h42Atualizada em 06/05/2021 17h21

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) criticou hoje alguns de seus colegas presentes na CPI da Covid por fazerem, segundo ela, uma "verdadeira apologia" ao uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19. Ela reforçou que o medicamento é comprovadamente ineficaz contra a doença e questionou os senadores — sem citar nomes — que insistem em defendê-lo.

"Nós estamos em rede nacional e vendo autoridades aqui — que, inclusive, não são profissionais da área da saúde — fazerem verdadeira apologia a um remédio que não tem eficácia comprovada. O próprio ministro [da Saúde] já deixou claro que tem um comitê que está avaliando a eficácia ou não. Significa que o próprio ministro admite que não há eficácia comprovada", disse a senadora, dirigindo-se ao ministro Marcelo Queiroga.

Começo a questionar até o nome que estão dando a essa CPI, se deve ser CPI da Pandemia ou CPI da Cloroquina, porque não se fala em outra coisa a não ser ela. Confesso que isso me deixa muito preocupada.
Simone Tebet (MDB-MS), na CPI da Covid

Tebet ainda disse se preocupar com essa "grande exposição" da cloroquina à população, que pode, em um momento de desespero e sem orientação médica, recorrer ao medicamento — que pode, sim, causar efeitos colaterais se usado de forma indevida.

"Eu, que sou leiga, não posso dizer nem que é eficaz, nem que não é eficaz. Mas não podemos cometer o equívoco de passar essa dúvida à sociedade num momento em que estamos falando de saúde pública, de pandemia, e que o uso indevido de um medicamento pode, sim, levar à morte ou a efeitos colaterais", acrescentou.

Queiroga "foge" do assunto

Marcelo Queiroga 3 - Jefferson Rudy/Agência Senado - Jefferson Rudy/Agência Senado
Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Terceira pessoa a depor na CPI da Covid, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, tentou se esquivar de perguntas sobre a cloroquina. O relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), chegou a fazer uma provocação e pedir que ele respondesse com "sim ou não" aos questionamentos.

"O senhor compartilha ou não das opiniões do presidente? É uma pergunta objetiva. O senhor pode dizer sim ou não", persistiu Calheiros ante a resistência de Queiroga.

Já o presidente da CPI, Omar Omar Aziz (PSD-AM), ironizou: "Até minha filha de 12 anos falaria sim ou não".

O ministro também evitou responder sobre as posições de Jair Bolsonaro (sem partido) sobre o "tratamento precoce" contra o coronavírus e sobre a ameaça do presidente de editar um decreto contra medidas restritivas de estados e municípios para conter a transmissão da doença.

Ainda assim, Queiroga ressaltou a importância do isolamento social e do uso de máscaras, que defendeu desde o início de sua gestão. "É uma oportunidade de eu reiterar: o isolamento físico é importante, o uso de máscaras é importante. Eu tenho feito isso todos os dias, todos os dias", disse.

(Com Reuters)

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.