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Conteúdo publicado há
1 mês

Ernesto diz à CPI que Itamaraty atuava em parceria com Ministério da Saúde

Rayanne Albuquerque e Hanrrikson de Andrade*

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

18/05/2021 10h22Atualizada em 18/05/2021 14h44

O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo negou hoje, em depoimento à CPI da Covid, que o Itamaraty tenha cometido erros durante o processo de compra de vacinas no exterior e afirmou que a pasta sempre trabalhou em parceria com o Ministério da Saúde.

Segundo ele, antes de a pandemia ser declarada no início de 2020, o órgão havia prospectado postos no exterior para ir em busca medicamentos e vacinas contra a covid-19, a pedido do Ministério.

Araújo também disse que tinha uma boa relação com a China, ao ser questionado sobre as relações exteriores conduzidas pelo Itamaraty.

Antes de ser declarada a pandemia, ainda em janeiro de 2020, já instruímos vários postos nos exteriores, a pedido do ministério da saúde, para prospectar pesquisas sobre medicamentos e vacinas
Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores

As respostas do ex-chanceler foram dadas após ele ser questionado, no início da sessão, pelo relator da Comissão Parlamentar de Inquérito, Renan Calheiros (MDB-AL).

De acordo com Araújo, "sempre houve um trabalho conjunto com o ministério da Saúde".

A oitiva do ex-ministro serve para esclarecer se o então chanceler acionou ou não o Itamaraty como deveria para pedir ajuda a outros países, no intuito de mitigar os efeitos da pandemia no Brasil.

Mesmo após alertas sobre o risco do uso indevido de cloroquina — medicamento sem eficácia comprovada — contra a covid-19, Araújo mobilizou o Itamaraty para garantir o fornecimento da medicação ao país, conforme mostra uma reportagem da Folha de São Paulo.

A viagem que Ernesto Araújo fez ao lado da comitiva presidencial para Israel com o intuito de adquirir um spray nasal contra a covid-19 e conhecer detalhes de uma vacina, também foi alvo de críticas por políticos.

O UOL revelou que a visita teve custo estimado em ao menos R$ 400 mil e não resultou em acordos.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.