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1 mês

Josias: Depoimento de Ernesto na CPI pode colocar Eduardo Bolsonaro na mira

Do UOL, em São Paulo

18/05/2021 08h53Atualizada em 18/05/2021 09h13

O colunista do UOL Josias de Souza disse hoje que o depoimento do ex-ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pode colocar o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) na mira da CPI da Covid. Para Josias, o ex-chanceler "virou um estorvo" para o governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

"O Ernesto se considerava um exemplo, mas ele vai descobrir na CPI que virou um estorvo. Sem nenhum escudo do Supremo, ele vai ter que falar como testemunha e assumir o compromisso de dizer a verdade. Os senadores o exprimirão para que ele explique porque priorizou no exterior a busca da cloroquina e outras mandracarias, como o spray nasal israelense, em detrimento das vacinas".

O depoimento de Ernesto ainda pode colocar na mira da CPI da Covid o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL). "A dupla se especializou em espinafrar a China. Para eles, 'comunavírus', como se referem ao coronavírus, é um agente ideológico da China para impor o comunismo ao mundo. Essa era a visão de Ernesto Araújo, não sei se ele vai ter coragem de reenfatizar isso na CPI".

A audiência de Ernesto também deve ser marcada por questionamentos sobre cloroquina, erros do governo durante a pandemia —como possível negligência em relação à compra de vacinas— e o diálogo conflituoso com a China, maior parceiro comercial do país.

A fala do ex-chanceler é uma das peças estratégicas no tabuleiro da oposição ao governo Bolsonaro. Os parlamentares buscam reunir evidências de que caberia atribuição de culpa ao presidente, por ação ou omissão, pelo agravamento da crise sanitária no país.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.