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Criticada por não apresentar evidências, Nise defende estudo descontinuado

Do UOL, em São Paulo

01/06/2021 17h07Atualizada em 01/06/2021 17h48

Durante seu depoimento à CPI da Covid no Senado, a médica Nise Yamaguchi negou hoje ter feito parte de um "gabinete paralelo" de assessoramento ao governo federal durante a pandemia, disse desconhecer a existência dessa estrutura e afirmou que nunca teve encontro privado com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Questionada diversas vezes sobre estudos que baseavam seu posicionamento, a médica, de posse de um calhamaço de papéis, citou repetidas vezes um documento do Henry Ford Health System, descontinuado após não comprovar a eficácia do medicamento no tratamento da doença, durante depoimento à CPI da Covid, no Senado.

"É inaceitável um profissional rejeitar os estudos técnicos, de entidades qualificadas, e tentar divulgar estudos que foram encerrados, como é o caso do Henry Ford. A senhora sabe que esse estudo foi descontinuado pela própria entidade porque não gerou os resultados esperados?! A senhora tem consciência disso?", questionou o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), um dos que mais enfatizou a questão.

O senador solicitou à médica nomes de revistas científicas de renome que tenham publicado estudos em defesa do medicamento.

"Não foi essa a informação que eu tive. A informação que eu tive é que [o estudo] foi publicado. Ele tem um lastro científico, sim. E ele tem uma evolução benéfica dos pacientes que usaram a cloroquina. Foi essa a informação que eu tive", respondeu a médica.

O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), então insistiu na questão e perguntou à médica se ela teve a informação ou se leu a publicação do estudo. "Não, eu li a publicação", garantiu.

É inaceitável um profissional de alta qualidade rejeitar estudos qualificados e tentar valorizar estudos que foram encerrados."
Alessandro Vieira

Conforme registrou o UOL Confere, em julho do ano passado, o estudo do Henry Ford Health System afirmara que o tratamento com a droga reduziu significativamente a taxa de mortalidade em pacientes hospitalizados com covid-19, sem causar efeitos colaterais ao coração. A própria conclusão do artigo, porém, ressaltava que os resultados precisariam ser confirmados através de outros testes que permitam avaliar "rigorosamente" a eficácia do tratamento.

A pesquisa foi uma das primeiras no segmento que tentava comprovar a eficácia do medicamento no tratamento de pacientes com covid-19, como defende o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.