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Conteúdo publicado há
4 meses

Queiroga nega ter participado de reunião de gabinete paralelo

Thaís Augusto e Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em São Paulo e em Brasília*

08/06/2021 12h14Atualizada em 08/06/2021 12h29

O ministro Marcelo Queiroga negou hoje que tenha participado de reunião de um suposto gabinete paralelo investigado pela CPI da Covid.

"Eu desconheço essa atuação em paralelo na minha gestão. Nunca vi esse grupo atuando de forma alguma", defendeu Queiroga. Ele também negou participar do Congresso Internacional da Covid-19 em maio deste ano. Segundo o relator Renan Calheiros (MDB-AL), participaram vários membros do gabinete paralelo que defendem o tratamento precoce.

"O convite foi aceito pelo meu gabinete, não tomei conhecimento acerca do evento e no dia tive compromisso", afirmou Queiroga. "O fato desses médicos defenderem o tratamento A, B ou C não significa que o ministro não possa participar nem que eu ratifico tudo o que há ali. Em relação às terapias, externei meu ponto de vista."

Queiroga também confirmou que teve contato com alguns supostos participantes do gabinete paralelo, como a médica Nise Yamaguchi, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) e o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS).

"Ele [Osmar Terra] me procurou uma vez no ministério para falar acerca de estudos sorológicos, não tratamos de medicações. A doutora Nise, eu recebi no Ministério da Saúde uma vez e me entregou um protocolo de cloroquina que era usado em Cuba e eu recebi."

Segundo o relator da CPI, senador Renan Calheiros, a CPI tem elementos suficientes e provas materiais da existência de um gabinete paralelo de aconselhamento do presidente. "Batizado de gabinete das sombras, na língua inglesa, designação que é apropriada para as atividades desse grupo obscurantista".

O grupo, formado por defensores da cloroquina e hidroxicloroquina, seria encabeçado intelectualmente pelo deputado Osmar Terra —que afirmou há pouco mais de um ano que a covid-19 faria menos vítimas do que a gripe sazonal no Rio Grande do Sul (950 por ano). O Brasil já ultrapassou os 474 mil mortos pelo coronavírus.

Em seu primeiro depoimento à CPI, Queiroga disse "desconhecer" a existência de um gabinete para assessorar o presidente durante a pandemia do coronavírus.

*Colaborou Ana Carla Bermúdez

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.