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Randolfe: Denúncia de Witzel sobre milícias em hospitais será investigada

Senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid - Adriano Machado/Reuters
Senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid Imagem: Adriano Machado/Reuters

Colaboração para o UOL

16/06/2021 21h55

O vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que as declarações dadas pelo ex-governador do Rio Wilson Witzel (PSC) à Comissão na manhã de hoje abrem uma nova investigação. No depoimento, Witzel disse que os hospitais do estado "têm dono" e Randolfe garantiu que os senadores vão "atrás para saber quem são".

"Descobrimos hoje com o depoimento do governador Witzel que tem atuação miliciana em hospitais do Rio de Janeiro. E, em decorrência disso, ele declinou para nós o conjunto de cinco empresas, que no dizer do senhor ex-governador, são empresas que têm dono e que lucram às custas das mortes", disse Randolfe em coletiva de imprensa.

Para o vice-presidente da CPI, as informações apresentadas pelo ex-governador do Rio à CPI "são muito úteis" e "uma das melhores contribuições".

Hoje, Witzel afirmou que seu impeachment se deu, em parte, pelo que chamou de "máfia da saúde" - a qual ele disse ter combatido, e que atuaria juntamente a milícias no estado. O ex-governador não informou nomes, mas sugeriu que a CPI peça a quebra de sigilos de OSs (Organizações Sociais) que atuam no Rio.

Os senadores vão apresentar e votar um requerimento para a realização de uma reunião fechada para ouvir Witzel. O senador e presidente da Comissão, Omar Aziz (PSD-AM), disse que irá consultar o departamento jurídico do Senado sobre a possibilidade da oitiva sigilosa e sem a presença do senador e filho do presidente Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ).

O ex-governador prometeu apresentar novos elementos sobre denúncias feitas à CPI. Ele garantiu ter "fato gravíssimo" a revelar, mas demonstrou preocupação que as denúncias prejudiquem futuras investigações e, por isso, prefere falar em segredo de Justiça.

Durante a sessão, a presença de Flávio foi considerada por alguns senadores como uma tentativa de intimidar o depoente. Os dois discutiram após Witzel acusar Jair Bolsonaro (sem partido) de perseguição política e por chamar Flávio de "mimado".

"Acabou possibilitando o reencontro da Comissão Parlamentar de Inquérito com a milícia. Haja vista a presença do senador Flávio Bolsonaro agredindo, falando mal da Comissão, das pessoas. E desta vez acompanhado por deputados federais que provocavam, enquanto nós estávamos fazendo as perguntas, fazendo postagens contra a Comissão Parlamentar de Inquérito", disse o senador e relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL).

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.