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Bolsonaro manda PF investigar deputado que apontou suspeita sobre Covaxin

Do UOL, em São Paulo

23/06/2021 18h45Atualizada em 23/06/2021 20h37

O ministro Onyx Lorenzoni, da Secretaria-Geral da Presidência, disse hoje que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) determinou à Polícia Federal que investigue a declaração do deputado Luís Miranda (DEM-DF) sobre as suspeitas quanto à compra da vacina Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech.

Ontem, em entrevista a O Estado de S. Paulo, Luís Miranda disse ter alertado Bolsonaro e o então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo a compra da Covaxin. Ele explicou ter se encontrado com o presidente em 20 de março para levar a denúncia sobre o caso — um mês após o governo assinar o contrato para aquisição da vacina.

De acordo com o parlamentar, ele apresentou documentos que apontavam irregularidades.

"O governo tomará medidas, e o presidente determinou que a PF abra uma investigação para apurar a declaração do deputado. Vamos solicitar uma perícia do documento. Vamos também pedir a abertura de investigação do deputado e do servidor Luís Ricardo Miranda [chefe de importação do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, irmão do deputado], por denunciação caluniosa, fraude processual e prevaricação", disse Onyx em pronunciamento, que não foi aberto a perguntas de jornalistas.

Por que, depois de três meses, esse cidadão vem a público e fala isso? Isso caracteriza a má-fé, denunciação caluniosa, a interesse de quem e por quê? Não vai ser um qualquer, que inventa mentiras, falsifica documentos, e assaca contra um presidente e um governo. Senhor Luís Miranda, Deus está vendo. Mas o senhor também vai pagar na Justiça tudo o que fez hoje. Que Deus tenha pena do senhor.
Onyx Lorenzoni, sobre denúncias de Luís Miranda

Segundo o ministro, as declarações de Luís Miranda são "mentirosas" e foram construídas para "atingir a imagem do presidente Jair Bolsonaro".

"Quero alertar ao deputado Luís Miranda que o que ele fez hoje é denunciação caluniosa, e isso é crime. Sobre as acusações, quero dizer: não houve favorecimento a ninguém, porque essa é a prática desse governo. Não houve sobrepreço, não houve compra alguma. Portanto, o governo tomará medidas e o presidente determinou que a PF abra uma investigação", reforçou.

O "sobrepreço" citado por Onyx também foi revelado pelo Estadão. Segundo reportagem publicada ontem, documentos do Ministério das Relações Exteriores mostram que o governo comprou a Covaxin por um preço 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela própria fabricante.

Um telegrama sigiloso da embaixada brasileira em Nova Délhi de agosto do ano passado, ao qual o jornal teve acesso, informava que o imunizante produzido pela Bharat Biotech tinha preço estimado em 100 rúpias (US$ 1,34 a dose). Em dezembro, outro comunicado diplomático dizia que o produto fabricado na Índia "custaria menos do que uma garrafa de água".

Em fevereiro deste ano, porém, o Ministério da Saúde pagou US$ 15 por unidade (R$ 80,70, na cotação da época) — a mais cara das seis vacinas compradas até agora.

Em uma publicação em sua conta no Twitter no início da noite, Miranda afirmou que na próxima sexta-feira (25) "o Brasil saberá a verdade e os documentos falam por si só". Os depoimentos do deputado e do irmão à CPI estão previstos para essa data.

"Perseguição"

Vice-presidente da CPI da Covid, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) criticou as declarações de Onyx, que, segundo ele, indicam uma perseguição por parte do governo contra o deputado Luís Miranda.

"Acho que o governo deveria se preocupar em responder a mensagem, e não atacar o mensageiro", disse o senador em entrevista à GloboNews. "A Anvisa considerou, em primeira análise, que o laboratório onde essa vacina [Covaxin] é produzida não tinha condições higiênicas. O governo, em vez de instaurar um procedimento em relação a isso, o que é que o governo faz? Anuncia uma investigação e uma perseguição contra o mensageiro, no caso, contra o denunciante [Luís Miranda]."

(Com Estadão Conteúdo)

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