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CPI vai requisitar segurança para deputado Luis Miranda, diz Randolfe

Senador Randolfe Rodrigues disse que vai requisitar segurança para deputado  - PEDRO FRANÇA/AGÊNCIA SENADO
Senador Randolfe Rodrigues disse que vai requisitar segurança para deputado Imagem: PEDRO FRANÇA/AGÊNCIA SENADO

Do UOL, em São Paulo

23/06/2021 13h27Atualizada em 23/06/2021 18h44

O vice-presidente da CPI da Covid, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse hoje que a comissão vai solicitar aparato de segurança para o deputado Luis Miranda (DEM-DF) e para sua família.

Em entrevista à CNN, o deputado disse hoje que alertou o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, de que o irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Fernandes Miranda, estava sendo exonerado da pasta por denunciar suspeitas de corrupção no processo de compra da vacina Covaxin. Os dois irmãos falarão à CPI.

"A CPI da Covid estará requisitando segurança para o deputado Luis Miranda, ao irmão e aos familiares. As informações que o deputado está declinando à imprensa e que trará a esta CPI são de extremo interesse público. Sua vida e de sua família precisam estar resguardadas", escreveu Randolfe em uma rede social.

Ainda em entrevista à CNN, o deputado Luis Miranda disse que as vidas dele e do irmão correm perigo. "Para chegar nesse nível, no tipo de documentação que me foi apresentado, [o esquema] não começou hoje, e ninguém chega nessa posição sendo bonzinho", disse o parlamentar. "Se ficar comprovado que existia corrupção, intenção de desviar dinheiro público, volto a dizer: a minha vida e a do meu irmão estão em risco, porque quem faz isso é bandido".

Se não ficar comprovado [que houve corrupção], se foi um erro de procedimento, improbidade administrativa para os servidores da Saúde, talvez nossas vidas sejam preservadas. Mas se houve corrupção, [você] tem dúvidas de que os envolvidos são bandidos? Quem desvia dinheiro da saúde é bandido, tem que ir para a cadeia.
Deputado Luis Miranda (DEM-DF)

Miranda fez acusações graves na entrevista. Segundo ele, há um "esquema funcionando, uma organização criminosa"."Numa estrutura como essa, talvez a gente tenha um aparelhamento de vários setores", afirmou.

Sobre o depoimento que ele e o irmão farão à CPI, o deputado disse que "dessa vez, dei azar -ou sorte- de ter uma CPI falando 'aqui não'". Ele relatou ter ouvido de integrantes da comissão, sem citar nomes, que se o irmão "falar a verdade, terá todo o apoio".

"Fui colocado em uma confusão e não queria estar dentro dela", disse o parlamentar. "Saber de algo tão grave e não passar para a frente é o mesmo que compactuar". "Temos que abrir a caixa preta, espero que meu irmão tenha a coragem de falar tudo que eu já escutei, e pelo que escutei, sairá muita gente presa do Ministério da Saúde", declarou.

Suspeitas sobre a compra da Covaxin

Reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo ontem indica que o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fechou um contrato de compra do imunizante por um valor 1.000% maior do que o anunciado pela fabricante seis meses antes.

Ainda segundo o jornal, o servidor Luis Ricardo Fernandes Miranda disse, em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), que o governo fez pressão pela compra da vacina indiana e para favorecer a Precisa Medicamentos, empresa que intermediou a aquisição do imunizante.

Francisco Emerson Maximiano, sócio-administrador da Precisa, tinha depoimento marcado para hoje na CPI, mas alegou estar em quarentena após retorno da Índia. A comissão então adiou a agenda dele para a próxima semana.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.