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Jornal: Secretário concentrou compras de vacinas antes de adquirir Covaxin

Franco atuava como "número 2" no Ministério da Saúde quando o general Eduardo Pazuello comandava a pasta - Marcos Oliveira/Agência Senado
Franco atuava como "número 2" no Ministério da Saúde quando o general Eduardo Pazuello comandava a pasta Imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado

Colaboração para o UOL

24/06/2021 10h03Atualizada em 24/06/2021 11h36

Um mês antes da assinatura do contrato para compra de doses da vacina indiana contra a covid-19 Covaxin, o ex-secretário executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco determinou que todas as negociações de imunizantes fossem centralizadas nele. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Franco atuava como "número 2" no ministério quando o general Eduardo Pazuello comandava a pasta. Em 29 de janeiro, o então secretário teria enviado a ordem de centralização para 16 secretarias e diretorias do ministério por meio de um ofício.

"Todas as solicitações de reuniões recebidas nas áreas técnicas referentes a ofertas, propostas e/ou qualquer tratativas alusivas a vacinas contra a covid-19 deverão ser direcionadas ao gabinete desta Secretaria Executiva", dizia o documento obtido pelo jornal.

Quase um mês depois, em 25 de fevereiro, o contrato para compra das vacinas Covaxin, no valor de R$ 1,6 bilhão, foi assinado. Documentos do Ministério das Relações Exteriores mostram que o governo comprou o imunizante por um preço 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela própria fabricante. A negociação durou cerca de três meses, prazo inferior ao de outros contratos.

Ao MPF (Ministério Público Federal), o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda disse ter sofrido "pressão atípica" dos chefes para acelerar os trâmites de importação da vacina.

Miranda teria citado três nomes: o coronel Marcelo Pires, ex-diretor de Programa do Ministério da Saúde, o tenente-coronel Alex Lial Marinho, que é ex-coordenador-geral de Aquisições de Insumos Estratégicos para Saúde, e Roberto Ferreira Dias, diretor de logística do Ministério da Saúde. Procurado pelo jornal, ele não quis se manifestar.

Pires e Marinho foram exonerados quando Pazuello deixou o ministério. Já Dias segue no cargo. Segundo o jornal, ele teria dito a colegas que as tratativas para a compra da vacina foram conduzidas pela secretaria-geral, seguindo a orientação mandada por Franco.

Franco é coronel da reserva do Exército e foi exonerado da posição de secretário executivo do Ministério da Saúde após Marcelo Queiroga ser nomeado ministro. Em abril, o ex-secretário se tornou assessor especial da Casa Civil.

Também procurados pelo jornal, Alex Lial Marinho afirmou que foi orientado por sua defesa a não se manifestar. Já Marcelo Pires não retornou ao contato da reportagem. Pazuello não respondeu aos questionamentos e Elcio Franco não foi localizado.

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