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Conteúdo publicado há
3 meses

Servidor diz que Global tem "má reputação" entre servidores de Saúde

Luciana Amarala, Hanrrickson de Andrade e Gilvan Marques

Do UOL, em Brasília e São Paulo

25/06/2021 17h12Atualizada em 25/06/2021 19h11

O servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Fernandes Miranda, que trabalha na pasta há mais de 18 anos, disse durante seu depoimento à CPI da Covid que a Global Gestão em Saúde possui má reputação entre técnicos da pasta. O funcionário e o irmão dele, o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF), acusam o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de ter ignorado denúncias relacionadas à vacina indiana Covaxin.

O relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), perguntou ao servidor se a Global era conhecida na aquisição e distribuição de medicamentos, e se havia má reputação da empresa entre os técnicos do ministério; Luis Ricardo respondeu apenas que "sim" nas duas questões. Em relação à Precisa Medicamentos, que intermediou a compra da vacina Covaxin, Luis Miranda disse todos os servidores só tomaram conhecimento pela imprensa de que o quadro societário era o mesmo da Global.

Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, o empresário Francisco Emerson Maximiano é sócio-administrador da Precisa Medicamentos, que intermediou a compra da vacina Covaxin pelo Ministério da Saúde ao preço de US$ 15 por dose (R$ 80,70, na cotação da época). O valor por unidade é 1.000% maior do que o anunciado pela fabricante Bharat Biotech.

Maximiano atua no setor farmacêutico há mais de uma década e comprou a Precisa em 2014, vendida pela Orizon, empresa do grupo Bradesco. Desde 2012, ele também é sócio da Global Gestão em Saúde e atua em outras nove empresas, quatro delas do ramo da saúde.

Preços superfaturados

A Global firmou contratos com o governo federal na época que Ricardo Barros (Progressistas-PR) era ministro da Saúde —Barros, atual líder do governo na Câmara, é visto como próximo de Maximiano.

Ainda de acordo com a reportagem, a Global vendeu remédios de alto custo ao Ministério da Saúde, mas não entregou. O prejuízo estimado é de R$ 20 milhões aos cofres públicos. O Ministério Público Federal move ação contra a empresa e cobra R$ 119 milhões por danos coletivos.

A mesma empresa foi multada em R$ 2,3 milhões pela Petrobras por não cumprir contrato de fornecimento de medicamentos a funcionários da estatal, segundo informou a revista Veja em março deste ano. O contrato foi assinado em 2015, mas encerrado no mesmo ano após constatação de fraudes no acordo.

A Precisa Medicamentos também é investigada pelo Ministério Público Federal na operação Falso Negativo, que apura a venda de testes rápidos contra a empresa e cobra R$ 119 milhões por danos coletivos.

"Meu partido é o SUS"

O servidor da área técnica do ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda e o irmão dele, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), estão sendo ouvidos hoje da CPI da Covid, após denúncias de irregularidade relacionadas à compra da vacina indiana contra a covid-19 Covaxin.

Em uma de suas falas, Miranda fez questão de ressaltar que não era filiado a nenhum partido.

Não sou filiado a nenhum partido. Meu partido é o SUS. Minha função é trabalhar para que os insumos e vacinas cheguem de maneira mais rápida possível aos braços dos brasileiros

Em sua apresentação inicial, o funcionário da pasta explicou que é concursado e atua no ministério desde 2011 e que está na chefia do departamento de exportação desde 2018, coordenando uma equipe, mas que não participa "de licitação ou escolha de empresas". Ressaltou, também, que ocupa um cargo que "não é indicação política".

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.