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7 meses

'Meu partido é o SUS': veja frases dos irmãos Miranda na CPI da Covid

25.jun.2021 - Chefe de importação do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, durante depoimento à CPI da Covid - Jefferson Rudy/Agência Senado
25.jun.2021 - Chefe de importação do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, durante depoimento à CPI da Covid Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Colaboração para o UOL

25/06/2021 16h32Atualizada em 25/06/2021 22h09

O servidor da área técnica do ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda e o irmão dele, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), estão sendo ouvidos hoje da CPI da Covid. O depoimento deles acontece em meio a denúncias de irregularidade relacionadas à compra da vacina indiana contra a covid-19 Covaxin.

Em sua apresentação inicial, funcionário da pasta explicou que é concursado e atua no ministério desde 2011 e que está na chefia do departamento de exportação desde 2018, coordenando uma equipe, mas que não participa "de licitação ou escolha de empresas". Ressaltou, também, que ocupa um cargo que "não é indicação política". "Não sou filiado a nenhum partido. Meu partido é o SUS", disse.

O presidente da Comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que Luis Ricardo é "um servidor público que merece todo o nosso respeito".

O deputado Luis Miranda afirmou que, por não ser promotor de Justiça ou investigador, levou o caso "para a pessoa certa" com urgência "devido à gravidade das informações". Segundo ele, Bolsonaro teria demonstrado entender a gravidade do caso.

Durante a sessão, houve troca de farpas entre senadores. Os governistas insinuaram que os dois irmãos não estavam falando a verdade no depoimento. O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), criticou o colega Marcos Rogério (DEM-RO) por tentar obstruir os trabalhos.

"Ah, me erre!", disse Aziz, que completou: "Não estamos no parquinho."

Em outro momento, o deputado Luis Miranda disse que poderia ter sido "poupado de passar esse constrangimento", em referência ao depoimento na CPI, porque o presidente "sabe toda a verdade". Na visão do parlamentar, bastava Bolsonaro "falar que eu fui lá, que eu despachei com ele, que ele mandou para quem quer que seja".

"Ele sabe de quem é a confusão, citou o nome dessa pessoa, não me recordo bem, já tinha mais ou menos o conhecimento do tamanho do problema e ia encaminhar para o DG (diretor-geral) da PF", afirmou.

Durante o depoimento, Luis Ricardo disse que avisou a Bolsonaro, em 20 de março, que três superiores do ministério o estavam pressionando. O servidor citou os nomes de Roberto Ferreira Dias, diretor de Logística do Ministério da Saúde; tenente-coronel Alex Lial Marinho, ex-coordenador-geral de Logística de Insumos Estratégicos para Saúde e coronel Marcelo Bento Pires, ex-diretor de Programa do Ministério da Saúde. Ele afirmou que o presidente se comprometeu a apresentar os fatos à PF (Polícia Federal).

Já no fim da noite, pressionado por senadores, o deputado federal Luis Miranda afirmou que o presidente citou o nome do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), ao ouvir denúncia sobre a Covaxin.

Veja as frases do servidor Luis Ricardo Miranda e do deputado federal Luis Miranda na CPI da Covid:

Meu partido é o SUS

"Não sou filiado a nenhum partido. Meu partido é o SUS. Minha função é trabalhar para que os insumos e vacinas cheguem de maneira mais rápida possível aos braços dos brasileiros."
Luis Ricardo Miranda

Denúncia ao presidente Jair Bolsonaro

"Levei àquele que acreditei e que ainda acredito que deveria tomar as providências. A pessoa certa, na minha opinião, é o presidente da República. Ele nos recebeu num sábado (20 de março), porque aleguei que era urgente, olhou nos meus olhos e disse: 'Isso é grave'."
Deputado Luis Miranda

O presidente sabe de tudo

"O presidente sabe toda a verdade, podia ter me poupado de passar esse contrangimento aqui. Bastava ele falar que eu fui lá, que eu despachei com ele, que ele mandou para quem quer que seja. Ele sabe de quem é a confusão, citou o nome dessa pessoa, não me recordo bem, já tinha mais ou menos o conhecimento do tamanho do problema e ia encaminhar para o DG da PF."
Deputado Luis Miranda

É o Ricardo Barros

"A senhora também sabe que é o Ricardo Barros que o senhor presidente falou. Eu não me sinto pressionado para falar, eu queria ter dito desde o primeiro momento. Mas é porque vocês não sabem o que eu vou passar. Apontar um presidente da república que todo mundo defende como uma pessoa correta, honesta, que sabe que tem algo errado. Ele sabe o nome, sabe quem é, ele não faz nada por medo da pressão que ele pode levar do outro lado. Que presidente é esse que tem medo de pressão de quem está fazendo o errado?"
Deputado Luis Miranda

*Matéria em atualização

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.