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Conteúdo publicado há
10 meses

A princípio, Bolsonaro ficará internado em tratamento clínico, diz boletim

Anaís Motta, Carla Araújo e Rayanne Albuquerque

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

14/07/2021 17h07Atualizada em 15/07/2021 09h30

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi transferido do Distrito Federal para o Hospital Vila Nova Star, na zona sul de São Paulo, após ser diagnosticado com uma obstrução intestinal. Bolsonaro passou por avaliações clínicas, laboratoriais e de imagem e, inicialmente, permanecerá internado "em tratamento clínico conservador", segundo informado pelo hospital.

O avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que transportou o presidente decolou de Brasília às 17h30 e chegou a São Paulo pouco antes das 19h. A transferência para a capital paulista foi feita para a realização de uma possível cirurgia de emergência, que ainda não está confirmada.

A chegada da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) móvel que conduziu o presidente até a base aérea onde ele irá embarcar para a capital paulista aconteceu por volta das 17h, no Distrito Federal. Cerca de dez carros batedores fizeram a escolta da ambulância que levou Bolsonaro.

Bolsonaro no hospital - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
Perfil de Bolsonaro no Facebook publicou uma foto sua ainda no HFA, em Brasília
Imagem: Reprodução/Facebook

"Mais um desafio"

Mais cedo, nas redes sociais, o presidente atribuiu a nova internação ao ataque à faca sofrido em 2018, durante a campanha eleitoral. O momento foi definido por Bolsonaro como "mais um desafio" gerado pelo episódio. As postagens foram feitas nas redes do presidente por volta das 16h, cerca de uma hora antes dele ser transferido na UTI móvel em direção à base aérea.

Mais um desafio, consequência da tentativa de assassinato promovida por antigo filiado ao PSOL [Adélio Bispo], braço esquerdo do PT, para impedir a vitória de milhões de brasileiros que queriam mudanças para o Brasil. Um atentado cruel não só contra mim, mas contra a nossa democracia
Perfil de Bolsonaro no Twitter

Apesar da associação feita por Bolsonaro, o PSOL é um partido que foi criado no ano de 2005, não sendo um "braço" do PT. Fundadores do PSOL foram expulsos do PT e fizeram oposição a governos petistas.

Desde a facada em 2018, o presidente foi submetido a seis cirurgias para refazer alças intestinais e diversos órgãos afetados pela facada. O presidente tem sofrido com intercorrências deste episódio e o último procedimento médico ao qual Bolsonaro foi submetido ocorreu em setembro de 2020.

A suspeita inicial sobre os soluços que Bolsonaro sentia há cerca de 10 dias era que fossem reflexo de uma cirurgia dental. Desde as 4 horas da manhã de hoje, a contração involuntária dos músculos do abdômen fizeram com que o presidente não conseguisse respirar. Nos últimos dias, o presidente também não tinha conseguido dormir por conta dos desconfortos.

Os detalhes foram divulgados pelo senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), em entrevista à CNN na saída da sessão de hoje da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid. Horas depois, o filho do presidente afirmou, em entrevista à Rádio Jovem Pan, que Bolsonaro chegou a ir para a UTI e que foi intubado como medida de precaução.

Foi realmente para uma Unidade de Tratamento Intensiva, para ficar ali em observação, com os cuidados melhores. Chegou a ser intubado, sim, para evitar que ele bronco aspirasse o líquido que tava vindo do seu estômago. Isso já havia acontecido em uma das cirurgias passadas que ele fez. Por precaução, apenas, nada de grave
Flávio Bolsonaro

A decisão de levar o presidente para a capital paulista foi do médico cirurgião Antônio Luiz Macedo, responsável pelas cirurgias no abdômen do presidente da República, decorrentes do atentado de 2018. Macedo foi chamado a Brasília e, após examinar o presidente pessoalmente, decidiu pela transferência. Macedo acompanhou a transferência de Bolsonaro na mesma aeronave.

Assim que o presidente foi transferido, alguns ministros, como o da Saúde, Marcelo Queiroga, foram às redes sociais com mensagens afirmando que Bolsonaro estava bem. Opositores postaram desejos de pronta recuperação ao presidente.

Fontes próximas ao presidente dizem que ainda não há uma definição se Bolsonaro despachará do hospital ou se pedirá algum tipo de licença. Segundo esses auxiliares, ainda será preciso aguardar novos boletins médicos. A agenda do presidente de amanhã já está cancelada.

 Comboio com UTI Móvel transportando o presidente Jair Bolsonaro deixa o HFA (Hospital das Forças Armadas) em Brasília - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Comboio com UTI Móvel transportando o presidente Jair Bolsonaro deixa o HFA (Hospital das Forças Armadas) em Brasília
Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

A confirmação da transferência aconteceu em uma nota divulgada, por volta das 15h40, na qual o Palácio do Planalto informou que, após exames realizados no HFA (Hospital das Forças Armadas), em Brasília, doutor Macedo "constatou uma obstrução intestinal e resolveu levá-lo para São Paulo onde fará exames complementares para definição da necessidade, ou não, de uma cirurgia de emergência".

Paciente "difícil"

Alguns auxiliares do presidente tentaram passar mensagens de tranquilidade e afirmaram que Bolsonaro estava animado pela manhã, querendo inclusive não cancelar a reunião com os chefes dos outros poderes.

Apesar disso, pessoas do entorno de Bolsonaro afirmam que ele não é um paciente fácil e estaria há tempos adiando a nova cirurgia.

Em abril deste ano, durante conversa com apoiadores, o presidente já havia afirmado que teria que fazer o procedimento em algum momento. "Talvez, neste ano, mais umazinha [cirurgia]. Mas é tranquilo, de hérnia. Eu tenho uma tela aqui na frente. Está saindo o bucho pelo lado. Então, tenho que colocar uma tela do lado também", afirmou na ocasião.

Presidente não dormia direito

O agravamento do estado de saúde de Bolsonaro acontece dentro de um contexto em que avança a pressão sobre a gestão federal, mediante as investigações da CPI da Covid, no Senado.

Flávio Bolsonaro confirmou a repórteres na tarde de hoje que o pai apresentava dificuldades para falar. A condição foi atribuída ao estresse que o presidente tem passado nas últimas semanas.

Se dedicasse mais a dormir bem, porque ele não dorme bem. É só ele fazer uma pequena mudança nos seus hábitos alimentares e na sua rotina. Sob os cuidados médicos, muito em breve estará 100%
Flávio Bolsonaro, senador

Para o senador, o estresse pode ter sido um fator importante. "Você conhece alguma função mais estressante que presidente da República, ainda mais se tratando de Bolsonaro? É difícil, mas ele está dando o melhor que pode para o país."

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