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Fábio Faria tenta abafar ameaça às eleições: 'Vamos para a próxima pauta'

 O ministro das comunicações, Fábio Faria - MATEUS BONOMI/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO
O ministro das comunicações, Fábio Faria Imagem: MATEUS BONOMI/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

22/07/2021 15h22Atualizada em 22/07/2021 15h34

O ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, Fábio Faria, tentou abafar a repercussão das ameaças contra as eleições de 2022 que teriam sido encaminhadas pelo general Walter Braga Netto ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AP).

Lira e Braga Netto negaram que o recado em tom de ameaça existiu. Diante disso, Faria propôs em suas redes sociais que, ao invés de tornar o assunto um dos focos do momento, que todos pudessem seguir para a "próxima pauta".

O ministro Braga Netto e o Presidente Artur Lira já negaram veementemente a matéria do Estadão. Vamos para a próxima pauta!
Fábio Faria, ministro das Comunicações

O posicionamento de Faria acontece após a afirmação de que o general teria ameaçado não permitir que eleições democráticas ocorressem no próximo ano caso o voto impresso não seja aprovado pelo Congresso Nacional.

O voto impresso é uma das pautas que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defende para que as eleições sejam "seguras". Apesar de afirmações que colocam em dúvida as urnas eletrônicas, Bolsonaro nunca apresentou provas sobre supostas fraudes.

A matéria com revelações sobre as ameaças que teriam sido feitas por Braga Netto foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Entenda o caso

Braga Netto teria comunicado a Lira em 8 de julho que "não haveria eleições em 2022, se não houvesse voto impresso e auditável", segundo o jornal. No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada que só haveria eleições no próximo ano "se fossem limpas".

Bolsonaro insinuou que o pleito poderia não ocorrer caso seu desejo de votos impressos e auditáveis não fosse adotado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Ainda de acordo com O Estado de S. Paulo, Arthur Lira considerou o recado como uma ameaça de golpe e procurou Bolsonaro para uma conversa na qual, segundo relatos, respondeu que não embarcaria em rupturas institucionais e não admitiria golpes.

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.