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1 mês

Braço direito de Pazuello diz que alertou sobre risco de 2ª onda no AM

Fábio Castanho e Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em São Paulo

05/08/2021 12h53Atualizada em 05/08/2021 13h49

Apontado como homem de confiança do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, o empresário Airton Antonio Soligo disse hoje, em depoimento na CPI da Covid, que fez um alerta sobre o risco de uma segunda onda da covid-19 no Amazonas após uma visita ao estado em meados de dezembro.

Conhecido como Airton Cascavel, o empresário atuou como assessor especial do ministério entre junho de 2020 a março de 2021, tendo como função, segundo ele, ser interlocutor da pasta com parlamentares e secretarias municipais e estaduais. Ele viajou para Manaus no dia 12 de dezembro de 2020.

"Eu voltei com esse pressentimento de Manaus, dizendo 'olha, Manaus vai acontecer isso'", disse, explicando que, apesar de não ser da área de Saúde, tem conhecimento sobre a região por já ter atuado em Roraima e via o início do inverno amazônico com preocupação.

"Quando eu voltei, chamei o secretário de assuntos estratégicos, chamei o pessoal do COE [Centro de Operações de Emergência], relatei a situação, pedi... Naquele momento, eu senti que, na minha concepção, haveria um problema que surgiria pela questão de clima, uma coisa que eu via... O disparo do número de casos ocorre no finalzinho de dezembro, em sete dias, ele explode", disse.

"E eu pedi que viesse o secretário do Estado do Amazonas. Eu me lembro que veio a secretária executiva e mais uma diretora da Secretaria Estadual. Pedi, nessa interlocução, que era a minha função não mais técnica, e disse: 'Olha, do Amazonas se avizinha uma situação, no meu entendimento, do que eu lá vi'. E, no final do ano passado, as chuvas começaram fortes no Amazonas", completou.

Segundo Cascavel, a viagem ao Amazonas em dezembro foi rotineira. "Como eu mantinha uma relação de proximidade do diálogo com os secretários estaduais, eu fui, naquele momento, visitar a situação do Amazonas naquele momento, como fui a vários Estados brasileiros. Se não todos, pelo menos uns 25, em momentos diferentes, eu visitei e trouxe dali algumas opiniões".

O ex-assessor disse que, após seu alerta, foi feito um plano para a região e cerca de 90 respiradores foram enviados, mas ele não acompanhou as medidas técnicas. "O ministério usou ali, um momento, equipes e mandou traçar um plano lá para o Amazonas. Isso eu acompanhei e se iniciou. O plano e a ação eu não sei explicar aqui os detalhes, porque é uma questão técnica", disse.

A conduta do governo federal em relação à pandemia no Amazonas é um dos pontos centrais da investigação na CPI. O estado vivenciou uma segunda onda com pico em janeiro, quando houve relatos de pacientes morrendo por falta de oxigênio.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.