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Dino sinaliza que haverá resistência policial se o Judiciário for violado

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB) é opositor ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) - Kleyton Amorim/UOL
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB) é opositor ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) Imagem: Kleyton Amorim/UOL

Do UOL, em São Paulo

16/08/2021 16h15Atualizada em 16/08/2021 16h30

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB) sinalizou hoje que haverá resistência policial caso o poder Judiciário seja violado com "ameaças e agressões". As declarações do gestor estadual acontecem no mesmo dia em que uma carta pública em apoio ao STF (Supremo Tribunal Federal) assinada por 14 governadores — incluindo ele — foi divulgada.

Não será por falta de proteção policial que vão acabar com a independência do Judiciário no Brasil
Flávio Dino

Ao lado de Flávio Dino, também assinou a carta aberta o governador Renan Filho (MDB-AL), Waldez Goés (PDT-AM), Rui Costa (PT-BA), Camilo Santana (PT-CE), Ibaneis Rocha (MDB-DFl), Renato Casagrande (PSB-ES), João Azevedo (Cidadania-PB), Paulo Câmara (PSB-PE), Wellington Dias (PT-PI), Fátima Bezerra (PT-RN), Eduardo Leite (PSDB-RS), João Doria (PSDB-SP) e Belivaldo Chagas (PSD-SE).

A nota não cita de forma direta o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas foi feita após o chefe do Executivo federal afirmar que pediria ao Senado Federal o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e Luís Roberto Barroso, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O presidente voltou a atacar o STF e o TSE um dia depois do ex-deputado federal Roberto Jefferson, atual líder do PTB e aliado da atual gestão federal.

A detenção do ex-deputado federal ocorreu por ordem de Moraes e teve como justificativa os ataques contra o STF. Na visão de Bolsonaro, os ministros "extrapolaram limites".

Bolsonaro não citou nominalmente Jefferson, mas fala em "prisões arbitrárias". Horas antes publicou nas redes sociais um vídeo com o ministro da Infraestrutura, Tarcício Gomes de Freitas, criticando a decisão.

"De há muito, os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, extrapolam com atos os limites constitucionais. Na próxima semana, levarei ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, um pedido para que instaure um processo sobre ambos, de acordo com o art. 52 da Constituição Federal", escreveu Bolsonaro nas redes sociais.

Senadores criticam postura de Bolsonaro

A mensagem de Bolsonaro contra os ministros foi classificada como autoritária pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que tem atuado como vice-presidente da CPI da Covid.

"Bolsonaro, vá trabalhar", escreveu Randolfe após as ameaças do presidente contra o poder Judiciário.

Ao invés de arroubos autoritários, que serão repelidos pela democracia, vá pegar no serviço! Estamos com 14 milhões de desempregados, 19 milhões de famintos, preço absurdo da gasolina, da comida. E o povo continua morrendo de covid-19. Vai trabalhar
Randolfe Rodrigues

A mesma linha crítica ao presidente foi adotada pela senadora e integrante da bancada feminina no Senado, Simone Tebet (MDB-MS).

A parlamentar usou trocadilhos para se referir que a medida citada por Bolsonaro a respeito do artigo 52 da Constituição Federal, usada como argumento para afastar os ministros, também pode servir para destituir o Presidente da República.

Presidente vai mesmo pedir ao Senado o impeachment de ministros do STF? Quem pede pra bater no "Chico", que mora no Inciso II, artigo 52, da CF, se esquece de que o "Francisco" habita o Inciso I, do mesmo endereço
Simone Tebet

Outros parlamentares, como o senador Humberto Costa (PT-PE) e o deputado federal Rodrigo Maia (sem partido), também se manifestaram contra Bolsonaro.

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