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3 meses

CPI: Girão vota contra seu próprio requerimento e é corrigido por assessor

Do UOL, em São Paulo

19/08/2021 16h23Atualizada em 19/08/2021 17h50

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) se confundiu e acabou votando errado sobre o requerimento que ele mesmo apresentou à CPI da Covid. O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), havia pedido que levantassem o braço aqueles que não aprovavam o pedido, e Girão assim o fez — sendo corrigido em seguida por um assessor.

"Coloco em votação os requerimentos. Aqueles que aprovam o destaque do senador Girão permaneçam como estão; aqueles que não aprovam levantem o braço", pede Aziz na sessão.

Girão, então, ergue a mão esquerda. Logo depois, um assessor vai até sua mesa e abaixa o braço levantado. (Assista no vídeo acima)

Pouco antes, senadores aliados ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentaram impedir a quebra de sigilos de produtores de conteúdo e de sites conhecidos por disseminar fake news. Após pedido de Girão, os requerimentos foram apreciados em separado, mas os governistas foram derrotados mesmo assim.

O senador do Podemos classificou a quebra de sigilo como um "atentado" à liberdade de expressão.

"O que esta CPI está fazendo com os movimentos conservadores é um atentado sem precedentes à liberdade de expressão, uma covarde intimidação, uma verdadeira censura, só pelo fato de esses meios propagarem ideias tradicionais e conservadoras. É, portanto, incabível numa democracia esse atentado à cláusula pétrea da livre manifestação de pensamento", defendeu Girão.

Eu queria dizer que, se houve algum excesso desses personagens, desses requerimentos que eu estou colocando, que seja devidamente investigado dentro dos procedimentos e ritos legais compatíveis com a incidência e a gravidade do crime ocorrido. (...) Quero fazer um apelo porque nós já estamos vendo uma verdadeira caçada que existe de tribunais superiores.
Eduardo Girão, na CPI

CPI ouve dono da Precisa

Além de votar requerimentos, a CPI da Covid ouviu hoje Francisco Maximiano, sócio-administrador da Precisa Medicamentos. A empresa representa no Brasil o laboratório indiano Bharat Biotech, responsável por desenvolver a vacina Covaxin contra covid-19. O contrato entre o Ministério da Saúde e a Bharat para compra de doses é acusado de irregularidades.

Durante o depoimento, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) chegou a pedir a prisão de Maximiano por suposto falso testemunho. O relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), também apontou inconsistências nas falas do dono da Precisa.

"Ao ser questionado pelo senador Tasso Jereissati [PSDB-CE] no tocante as suas relações em um contrato de locação de imóvel juntamente com o senhor Danilo Trento, outra figura notória, ele disse que era apenas o fiador, que era o fiador do contrato. E isso foi perguntado por diversas vezes, inclusive por Vossa Excelência [Omar Aziz], que neste momento preside a sessão. Não é verdade", argumentou.

Claramente, objetivamente, estávamos falando de um contrato onde não existe a figura do fiador. (...) Então, peço a Vossa Excelência... Não gastei nem três minutos do meu tempo. Peço que, do restante, Vossa Excelência aprecie a possibilidade ou a hipótese de prisão pela falsidade do testemunho do depoente. Isso tem que ser claro. A gente tem que ter a mesma regra para todos.
Alessandro Vieira, na CPI

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.