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Conteúdo publicado há
2 meses

Senadores apontam mentira e pedem prisão de dono da Precisa, que se retrata

Thaís Augusto e Luciana Amaral

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

19/08/2021 16h58Atualizada em 19/08/2021 17h34

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) pediu hoje a prisão do sócio-diretor da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, por falso testemunho na CPI da Covid. O relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), também apontou inconsistências no depoimento.

"Ao ser questionado sobre suas relações num contrato de locação de imóveis, juntamente com o senhor Danilo Trento, ele [Maximiano] disse que era apenas fiador do contrato. Isso foi perguntado diversas vezes e isso não é verdade", afirmou Alessandro Vieira. "Claramente, estamos falando de contrato que não tem figura do fiador, existe seguro fiança, que é da mesma empresa suspeita [FIB Bank], do amigo próximo do depoente, Marcos Tolentino".

Peço que Vossa Excelência aprecie possibilidade, hipótese de prisão por falso testemunho do depoente. Temos que ter a mesma regra para todos."
Senador Alessandro Vieira na CPI da Covid

Na sequência, o advogado de Maximiano pediu a palavra e ressaltou que "investigado não comete falso testemunho, ainda que falte com a verdade". Maximiano pediu desculpas aos senadores e disse que apenas se confundiu.

"Formalmente, peço desculpas porque realmente consto como locatário no contrato desse imóvel. Não me recordava porque não vivi lá. Foi uma confusão, minhas desculpas", afirmou o empresário.

Mais cedo, o senador Renan Calheiros apontou uma mentira no depoimento de Maximiano. Na primeira parte da CPI, Renan questionou uma reunião entre o dono da Precisa e o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Gustavo Montezano —o encontro teria sido intermediado pelo senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ).

Maximiano respondeu que se tratava de um projeto de internet para o Brasil, da empresa Xis Internet Fibra. Renan questionou se a Xis transferiu recursos para a Precisa Medicamentos, mas o depoente respondeu que não.

Horas depois, Renan rebateu a declaração: "Eu fiz a pergunta: A Xis Internet Fibra transfere recursos para a Precisa Medicamentos? O depoente respondeu que não, não transfere. Eu queria dizer que se encontra em poder desta Comissão Parlamentar de Inquérito o registro de uma transferência de R$ 640.444,52 entre 08/01 e 16/04 de 2021, feito da Xis exatamente para a Precisa, diferentemente do que respondeu o depoente ao interrogatório que fizemos aqui hoje nesta comissão".

Renan, entretanto, não pediu a prisão do depoente Francisco Maximiano.

Em seu depoimento na CPI da Covid, após quatro adiamentos, Maximiano se recusou a responder a maioria dos questionamentos dos senadores. Logo no início da sessão, a CPI cogitou dar voz de prisão ao empresário —ele está protegido por um habeas corpus concedido pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.