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Grupo de Sérgio Reis encontrou ministros, deputados e irmão de Bolsonaro

Juliano Martins, ativista alvo de operação da PF, com o general Augusto Heleno, ministro do GSI - Reprodução/Instagram
Juliano Martins, ativista alvo de operação da PF, com o general Augusto Heleno, ministro do GSI Imagem: Reprodução/Instagram

Rafael Neves

Do UOL, em Brasília

21/08/2021 04h00Atualizada em 21/08/2021 09h49

Alvos de operação da PF (Polícia Federal) na manhã de ontem, ativistas ligados ao cantor Sérgio Reis registraram em suas redes sociais uma série de encontros com políticos bolsonaristas nas últimas semanas. Membros do grupo têm aparecido ao lado de deputados, funcionários do Executivo e até ministros de Jair Bolsonaro (sem partido).

As reuniões estão na mira da PGR (Procuradoria-geral da República), que pediu as buscas e apreensões ao STF (Supremo Tribunal Federal). Desde julho, os investigados têm mobilizado apoiadores de Bolsonaro para atos no dia 7 de setembro, em apoio a pautas do governo e contra ministros do STF e as instituições. A PGR apura, entre outros pontos, se aliados do presidente atuaram de alguma forma nessa organização.

No último dia 15, um domingo, dois investigados publicaram fotos no Instagram com o general Augusto Heleno, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), em um corredor do Palácio do Planalto. Pelas imagens, divulgadas sem informações adicionais, não é possível saber em que dia eles se encontraram.

Dias antes, três membros do grupo estiveram com Gabriele Araújo, secretária especial de articulação social. O órgão é vinculado à Segov (Secretaria de Governo), que também funciona no Planalto. Juliano Martins, um dos alvos da PF, publicou em seu Instagram que o grupo teve uma "agenda" com a secretária, mas não deu detalhes.

Os eventos não foram registrados nas agendas oficiais de Heleno e de Gabriele Araújo. O UOL pediu esclarecimentos ao GSI e à Segov, mas não teve respostas até a publicação da reportagem. O espaço está aberto para manifestação.

Os encontros do grupo de Sérgio Reis

Outros encontros

Sérgio Reis e os demais investigados começaram a mobilizar seguidores no início de julho, por meio do WhatsApp e das redes sociais. No dia 26 daquele mês, segundo a PGR, a organização "começou a tomar forma" com uma reunião no hotel Blue Tree Premium, em São Paulo, com cerca de 20 pessoas.

Mesmo antes do encontro, porém, parte dos investigados já estava viajando a Brasília e se encontrando com políticos aliados de Bolsonaro. No dia 12, uma quinta-feira, Sérgio Reis foi recebido no Planalto pelo presidente ao lado de Eduardo Araújo, outro alvo da operação da PF. As postagens do grupo ligado a Reis começam a aparecer no dia 8 de agosto, um domingo, e continuam pelos dias seguintes.

No período, eles estiveram com o secretário da pesca do governo federal, Jorge Seif, com o ministro do Turismo, Gilson Machado, com Mosart Aragão Pereira, assessor especial da Presidência, e até com Renato Bolsonaro, irmão do presidente. A PGR também investiga as circunstâncias das reuniões.

O grupo também é próximo de parlamentares da base do governo. Durante as agendas em Brasília, o grupo foi a uma reunião da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), a chamada bancada ruralista, e acompanhou a derrota da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do voto impresso na Câmara dos Deputados.

Parte dos investigados também participou, dias antes, da motociata que Bolsonaro promoveu em Florianópolis em 7 de agosto. Um dos alvos da PF, Turíbio Torres, tirou fotos no local com a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e o empresário Luciano Hang, dono da Havan.

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