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1 mês

Se fosse comprometido com democracia, Lira pautaria impeachment, diz Doria

25.ago.2021 - Governador de São Paulo, João Doria, participa de coletiva de imprensa para falar sobre o combate ao Coronavírus, (Covid-19) no Palácio dos Bandeirantes,  - Roberto Casimiro/Estadão Conteúdo
25.ago.2021 - Governador de São Paulo, João Doria, participa de coletiva de imprensa para falar sobre o combate ao Coronavírus, (Covid-19) no Palácio dos Bandeirantes, Imagem: Roberto Casimiro/Estadão Conteúdo

Leonardo Martins, Letícia Mutchnik e Manuela Ferraro

Do UOL, em São Paulo

08/09/2021 14h08Atualizada em 08/09/2021 19h23

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou hoje a postura do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), ao dizer que não há mais espaço para "radicalismos e excessos", sem mencionar a abertura de um processo de impeachment contra o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Em entrevista no Palácio dos Bandeirantes, Doria lamentou o posicionamento de Lira. "Eu lamento que ele não tenha compromisso com a democracia porque, se tivesse, teria colocado em pauta o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Lamento sinceramente a postura, a atitude e o descompromisso do presidente da Câmara Federal com a democracia", afirmou Doria.

Se esta de fato é a posição do presidente Arthur Lira, que ele mesmo faça o encaminhamento do pedido de impeachment. Se ele, de fato, entende que é hora de dar basta à escalada de bravatas, que proceda dentro da democracia e dentro dos procedimentos do Congresso Nacional à apresentação do processo de impeachment. Não é só na palavra, é na atitude que se faz."
João Doria

O posicionamento de Lira foi tornado público após os atos do dia 7 de setembro, ontem, em que o presidente, tanto em Brasília como em São Paulo, fez manifestações golpistas, dizendo que não iria obedecer decisões do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Em um pronunciamento, Lira disse que ainda não se manifestara sobre o tema "porque não queria ser contaminado pelo calor do momento". "[A Câmara] estende a mão aos demais poderes para que se voltem ao trabalho encerrando desentendimentos. Temos a nossa Constituição, que jamais será rasgada", disse ele.

Eu lamento que o presidente da República continue flertando com o autoritarismo e afirmo que aqui em São Paulo ele não encontrará eco no governo do estado. Nós inclusive garantimos a proteção física aos ministros do Supremo que residem em SP e a seus familiares."
João Doria

Questionado se há possibilidade de se reunir com partidos de oposição para aderir ao pedido de impeachment de Bolsonaro, Doria afirmou que essa responsabilidade é da presidência nacional do PSDB. "Essa é uma decisão que cabe ao presidente nacional do nosso partido, Bruno Araújo. Ela, a deputada Gleisi Hoffmann, é presidente nacional do PT, portanto é uma questão partidária", disse o mandatário, relembrando que é a favor da saída do presidente do poder.

As falas golpistas de Bolsonaro deram pontapé para as discussões sobre seu impeachment entre partidos que, antes, não aderiram à ideia — é o caso do PSDB e do PSD. O presidente dos tucanos convocou uma reunião hoje só para tratar do tema com filiados.

O governador de São Paulo também disse que, ontem, falou com governadores de estados brasileiros — sem especificar quais — sobre o discurso de Bolsonaro nos atos.

"Não se trata de articular com governadores, mas, sim, compartilhar com governadores. Eu fiz isso ontem e vários governadores manifestaram como eu contrariamente aos arroubos autoritários de Bolsonaro", disse.

Atos no dia 12

Estão marcados para o próximo domingo (12), na avenida Paulista, novas manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro, dessa vez convocadas e organizadas por outros movimentos sociais, como MBL (Movimento Brasil Livre) e Vem Pra Rua.

É esperada pelos organizadores a participação de políticos do espectro políticos da direita e centro-direita, que não costumam participar de manifestações contra Bolsonaro organizadas por movimentos sociais de esquerda. São eles, por exemplo, o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e o senador Alvaro Dias (Podemos-PR).

Doria afirmou que sua participação no ato ainda está sendo estudada. "Sobre mina presença ou não ainda está em avaliação, porém, como cidadão e brasileiro, defendo e apoio toda manifestação seja em São Paulo ou em outras cidades do país a favor da democracia, da Constituição", disse.

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