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Aziz diz que CPI está mostrando que Bolsonaro é o 'porta-voz antivacina'

Senador Omar Aziz diz que Bolsonaro fez "anticampanha" contra vacinas - Edilson Rodrigues/Agência Senado
Senador Omar Aziz diz que Bolsonaro fez 'anticampanha' contra vacinas Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

10/09/2021 08h42

O presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), disse hoje que o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), é o porta-voz antivacina. Na entrevista à revista Veja, o senador ainda afirmou que indícios colhidos na CPI apontam para a possibilidade de Bolsonaro ter cometido crime de responsabilidade durante a gestão da pandemia do novo coronavírus.

Para Omar Aziz, o chefe do Executivo fez 'anticampanha' ao tentar desacreditar vacinas, zombando que as pessoas poderiam virar jacaré se tomassem a Pfizer e usando expressões como "vachina" para se referir à CoronaVac.

"O presidente, que era para ser o porta-voz da vacinação, é o porta-voz antivacina, além de ser porta-voz de remédios não comprovados cientificamente", disse Aziz.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro tem insistido no que chama de 'tratamento precoce', com o uso de remédios sem eficácia para a covid-19 como hidroxicloroquina. Além disso, o presidente acumulou declarações de descrença em relação a vacinas, sendo que até o momento ele não se vacinou contra a covid-19.

Frequentemente, Bolsonaro diz que os imunizantes estão sendo aplicados em fase experimental, o que é mentira. As vacinas contra a covid-19 não estão em fase experimental porque, no Brasil, diferentes imunizantes receberam o aval da Anvisa depois de passar por análises de segurança, qualidade e eficácia. Mesmo aquelas com autorização para aplicação emergencial passaram por esse tipo de teste.

Outro ponto relacionado a vacinas que é alvo de investigação na CPI é a demora na aquisição de vacinas, especificamente da Pfizer. Segundo levantamento da comissão, a empresa enviou 81 e-mails ao governo desde março de 2020, sendo que muitos ficaram sem resposta. O contrato com a Pfizer só foi assinado no começo deste ano.

Na avaliação de Aziz, a questão mais grave levantada pela CPI é que "o Brasil nunca apostou na vacina". Ele citou a demora para responder a Pfizer e disse estranhar o que chamou de "facilitação" a outros imunizantes como a Covaxin, cujo contrato de aquisição foi suspenso pelo Ministério da Saúde após suspeitas de fraude.

"Negligenciam as fabricantes sérias, mas dão prioridade a essas outras, como o caso da Covaxin, o mais barulhento até agora. Os indícios de crimes por agentes públicos são muitos. A CPI vai colocar isso no relatório", disse.

Indícios relacionados a Bolsonaro

Além do que chama de 'anticampanha de vacinação' do governo, Omar Aziz diz que outros dois pontos da investigação devem basear o relatório final da CPI: a propagação de medicamentos ineficazes contra a covid-19 e o incentivo à chamada "imunidade de rebanho".

Questionado se a propaganda antivacina pode ser encaixada e se a CPI pode pedir a abertura de impeachment contra Bolsonaro, Aziz disse que todos serão responsabilizados pelos seus atos.

"O que nós temos são vários fatos que levam a isso. Não posso me antecipar, mas tenha certeza de que todos aqueles que foram omissos em relação à doença, numa conjuntura em que o negacionismo foi muito grande, terão de ser responsabilizados pelos seus atos. Se os indícios forem contra o presidente, não tenha dúvida de que ele estará no relatório final", disse.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.