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Alvo de Moraes, deputado critica Bolsonaro: Leão que não ruge vira gatinho

17.jun.2020 - O deputado Otoni de Paula (PSC-RJ) em sessão extraordinária deliberativa - Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados
17.jun.2020 - O deputado Otoni de Paula (PSC-RJ) em sessão extraordinária deliberativa Imagem: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

Do UOL, em São Paulo

10/09/2021 08h18Atualizada em 10/09/2021 08h55

Alvo de mandado expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) criticou ontem o recuo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) após ataques e discursos golpistas do atual mandatário contra as instituições.

"Eu preciso confessar isso ao Brasil. Me entristece a nota publicada pelo Governo Federal e assinada pelo meu presidente Jair Messias Bolsonaro. (...) E, infelizmente, os conselheiros do presidente Bolsonaro o tornaram pequeno. Leão que não ruge vira gatinho. E é isso que estão tentando transformar o grande leão desta república, Jair Messias Bolsonaro."

No plenário da Câmara, durante a votação do Novo Código Eleitoral, Otoni também disparou contra o ex-presidente Michel Temer, que teria intermediado o telefonema entre Bolsonaro e Moraes, além de ter redigido a carta aberta "à nação" divulgada pelo Palácio do Planalto. Michel Temer foi acionado pelo Planalto numa tentativa de debelar a crise institucional com o STF e o Congresso.

"Duas coisas me chamam a atenção nessa fatídica nota: a primeira, é que está pública que essa nota partiu de uma redação feita pelo ex-presidente da república Michel Temer. Responsável pela estadia do déspota Alexandre de Moraes em uma das cadeiras do pleno do STF. Sim, o presidente da república assina a nota do pai do déspota. Sim, o presidente permite que a redação seja do pai daquele que colocou o ditador da toga naquela cadeira", declarou o deputado.

Em fevereiro de 2017, Moraes foi indicado pelo ex-presidente Michel Temer ao cargo no STF após a morte do ministro Teori Zavascki, morto em um acidente aéreo.

O deputado — que é apoiador do Bolsonaro na Câmara e já foi vice-líder do governo na Casa — também fez declarações contraditórias ao afirmar que não é contra a pacificação, mas "não há tempo de paz quando o inimigo não quer paz". Apesar da fala, Otoni não disse diretamente quem seria o "inimigo".

"Outra coisa que me chama a atenção nessa nota de pacificação. Eu não sou contra a pacificação. O que eu sou contra é que essa pacificação vem de um lado só. Não há tempo de paz quando o inimigo não quer paz. Quando o adversário só quer guerra. Lamento presidente, o senhor ficou pequeno", finalizou o parlamentar em seu discurso.

Nas redes sociais, bolsonaristas também lamentaram o conteúdo da carta aberta divulgada pelo chefe do Executivo na qual recua de discurso golpista em manifestações do 7 de Setembro e diz declarar respeito às instituições brasileiras.

Alvo

A PF (Polícia Federal) cumpriu mandados de busca e apreensão, autorizados pelo STF, em 21 de agosto. Entre os alvos estavam o cantor Sérgio Reis, o deputado federal bolsonarista Otoni de Paula, e outras oito pessoas.

Os mandados, que foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, foram cumpridos no Distrito Federal, além dos estados do Ceará, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro.

Além do parlamentar e de Sérgio Reis, foram alvos da decisão do ministro Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como "Zé Trovão", Eduardo Oliveira Araújo, Wellington Macedo de Souza, Antônio Galvan, Alexandre Urbano Raitz Petersen, Turíbio Torres, Juliano da Silva Martins e Bruno Henrique Semczeszm.

Agentes da PF estiveram em endereços ligados aos alvos, incluindo o gabinete de Otoni na Câmara. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar disse que não vai recuar e "deixar de falar o que pensa".

Em sua decisão, Moraes afirmou que os investigados "pretendem utilizar-se abusivamente dos direitos de reunião, greve e liberdade de expressão, para atentar contra a Democracia, o Estado de Direito e suas Instituições", "inclusive atuando com ameaça de agressões físicas".

O ministro determinou ainda à época a instauração de inquérito contra os investigados, a restrição de aproximação de um quilômetro de raio da Praça dos Três Poderes, dos ministros do STF e dos senadores — essa restrição somente não se aplica ao deputado federal em razão da necessidade do exercício de suas atividades —, a expedição de ofício às empresas responsáveis por redes sociais para que bloqueiem os perfis de titularidade dos envolvidos, e a proibição de se comunicarem entre si e de participarem de eventos em ruas e monumentos no Distrito Federal.

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